Cidades de evidências

Sérgio Magalhães e Maína Celidônio: favelas e não favelas / Foto: Marco Sobral

Sérgio Magalhães e Maína Celidônio: favelas e não favelas / Foto: Marco Sobral

Sérgio Magalhães, com a palavra: “Costumo perguntar, quando estou num grupo de pessoas, quem imagina que nos próximos dez anos será capaz de – com o seu trabalho exclusivamente, sem herança, sem financiamento, sem loteria – comprar sua casa própria? Ninguém responde afirmativamente”, ele provocou a plateia. “O Brasil construiu mais de 60 milhões de domicílios novos. Eram dois milhões os domicílios urbanos no Brasil na década de 1940. Hoje, estamos perto dos 60 milhões”, comparou. 

Os números crescentes são evidências da determinação do povo e das cidades brasileiras. Para o arquiteto, ganhos como a queda na mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida são mérito das cidades. Assim como a sua expansão de territórios:

“Apenas 20% das construções contaram com algum tipo de financiamento. Uma em cada cinco casas. Os 80% restantes foram feitos com recursos da família, não foram recursos da coletividade. Como a pessoa vai construir na regularidade formal se nós não temos financiamento?”

A favela, aí, aparece como solução. “É o modo como muitas famílias pobres conseguiram viver na cidade, porque significa acesso melhor a trabalho, educação e saúde. A favela é uma alternativa e pode ser vista como adesão à vida urbana, não como agressão. É o modo possível. A autoconstrução é a única alternativa para 80% da população brasileira”, disse ele, em resposta a Marina.

A tentativa de diálogo, como questionou Júlia Michaels, existe. Especialmente a tentativa de barrar a forma como a cidade está se expandindo. “Procuranos dialogar ao máximo com a prefeitura, com o governo federal. Nosso ideário é olhar criticamente e que as obras tenham melhor qualidade, que os recursos sejam melhor aplicados. Todos que militam em instituições ou partidos têm, todo dia, um dia novo. Temos de batalhar muito.”

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