Ok, fizemos nossa Passeata dos 100 Mil

Bruno F. Duarte: "Ok, nós fizemos nossa Passeata dos 100 Mil. Somos politizados" / Foto Marco Sobral

Bruno F. Duarte: “Ok, nós fizemos nossa Passeata dos 100 Mil. Somos politizados” / Foto Marco Sobral

E assim o microfone passou a circular pela plateia para a primeira rodada de perguntas, comentários e relatos de experiências. Em um ir e vir, os temas foram se alternando e ganhando abrangência.

“Em Belo Horizonte, houve uma manifestação em triângulo, em três praças importantes. A passeata parou no hospital e fez silêncio. Curiosíssimo, vamos combinar. Todos aqui falaram em ausência de liderança, mas são muitas coisas ao mesmo tempo. Há uma outra forma de organização social surgindo, não?”, questionou Teresa Carvalho, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O arquiteto Claudius Ceccon mirou em Daniela Fichino: “Desde o princípio das manifestações até hoje, parece que há um princípio de respeito e uma mudança tática de estratégia por parte da mídia tradicional. O que vai acontecer com essa Mídia Ninja?”

Davi Marcos, fotógrafo do Observatório de Favelas, contou o episódio do massacre da Maré. “A gente ficou preso no Observatório. Quando eles (os policiais militares) deram uma pausa, a gente saiu, o Bope entrou. Num dado momento, depois que aquilo se propagou no facebook, me ligaram de São Paulo, da mídia Ninja, e pediram que eu filmasse alguma coisa em tempo real e enviasse para eles. Falei que se eu saísse ali, ia levar um tiro. Isso quer dizer que as informações têm de se cruzar mais”, ele defendeu um melhor entendimento das realidades de cada território. Na Maré, que a turma da mídia Ninja saiba, o perigo é iminente. “Tem de ter essa troca, também”, resumiu.

Bruno F. Duarte, da Agência de Redes para a Juventude, fez questão de lembrar que no dia 17 de junho, no Rio, a juventude pagou sua dívida com a geração de 1968. “Quando a mídia disse que havia 100 mil – claro que a gente achava que tinha mais, bem mais -. a gente pensou OK, fizemos a nossa Passeata dos 100 mil. Pagamos nossa dívida, somos politizados. A gente sabia que tinha muito mais gente ali, mas ok”, ele provocou risos na plateia.

Ao retomar a palavra, Zuenir Ventura revelou ter muito mais perguntas que respostas. “Tenho inveja das certezas. Comungo do interesse do Claudius (Ceccon) em relação ao depoimento da Daniela. Eu quero muito mais ouvir”, disse e acrescentou que a falta de liderança nas manifestações a que todos se referem tem a ver com a crise de representatividade de que os brasileiros padecem atualmente. “Isso é terrível para o país. Você é esmagado por uma avalanche de maus feitos e não acredita em mais nada. E isso tem poder de contágio. Tem a ver com não confiar, não querer entregar a sua representatividade a alguém. Essa é uma das coisas mais sérias, a meu ver, que está acontecendo”, opinou.

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