Como as ruas vão se manifestar nas urnas?

José Marcelo Zacchi: "A democracia foi e é bem sucedida em muitos aspectos" / Foto Marco Sobral

José Marcelo Zacchi: “A democracia foi e é bem sucedida em muitos aspectos” / Foto Marco Sobral

As manifestações eclodiram e, os fatos corroboraram, a luta não era apenas pelos alardeados vinte centavos. O estado, por sua vez, acena com algumas respostas, veio a lembrança da plateia. Mas como as ruas vão se manifestar nas urnas?

Diante da pergunta, Zuenir Ventura brincou, disse que adoraria saber. “Nós jornalistas somos profetas do passado, erramos tudo, ninguém previu certo. Me preocupa o ano que vem. Ir para a rua sem saber para o quê tem o risco da manipulação”, disse ele, apontando também para a visível redução de participantes nas manifestações.

“Houve uma diminuição grande desde os 100 mil. Houve um afastamento do apoio da classe média? O que ainda está havendo? É um movimento muito rico para se perder e é preciso uma visão crítica para que não se perca”, afirmou o jornalista.

Dulce Pandolfi também preferiu não arriscar especificamente sobre o que irá acontecer. “Não dá para dizer o que vai acontecer em 2014, mas tem de ter projetos, porque a eleição está aí. Espero que as pessoas não votem em branco ou nulo. Independentemente das manifestações, democracia exige cidadania. É um processo em construção que não tem fim. Quanto mais cidadãos houver, maior será a democracia. O que vai dar, não sei. Hoje, há uma diversidade de juventudes. Não quero que a geração de 1968 se repita, porque não vai se repetir”, disse.

José Marcelo Zacchi foi direto ao ponto: “Nessa conversa geracional, é óbvio que insatisfações e limites são evidentes, mas esse descrédito absoluto na democracia é surpreendente. A democracia foi e é bem sucedida em muitos aspectos. Tem uma transição geracional que tem a ver com essas duas décadas e meia. Qual o balanço adequado entre os limites do ambiente democrático e seus êxitos? E qual pode ser a agenda da democracia para a frente?”, lançou a pergunta.

Claramente, o cenário atual existe graças aos êxitos da democracia, adiantou Dulce. “Mas a gente tem um déficit e um país muito desigual, com uma cidadania muito precária, e essas duas coisas se conjugam. Defendo a democracia representativa como fundamental, mas acho que ela está em xeque. Em 2014, certamente ganhará a disputa um projeto que priorize os serviços públicos, a cidadania, isso é quente”, disse ela, igualmente preocupada com o descrédito na democracia representativa. “Ao lado da participação, tem de ter a representação. Nesses momentos (o risco está em que) podem surgir os salvadores da Pátria, os carismáticos, os Collor e Garotinhos. Tem uma pauta para ser construída.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s