Além da timeline, uma pauta em construção

Daniela Fi: "O que está em nosso mural não é o que está no mundo" / Foto Marco Sobral

Daniela Fi: “O que está em nosso mural não é o que está no mundo” / Foto Marco Sobral

A insatisfação é evidente, mas a agenda ainda não é. Como se trata tanto dissenso? Como conseguir pactuar coisas, acumular e discutir as formas de organização coletivas?

“Existem movimentos que se articulam há décadas no país. Agora, eles explodiram. O que há, em vez de pauta, é um mal estar geral. A novidade é que as muitas pautas e micro insatisfações estão eclodindo, se articulando. A forma de se articular parte de um instrumento comum que é a internet. A gente conta pela internet as confirmações? É outro mundo e outra lógica”, analisou Dulce Pandolfi.

Afinal, existe uma agenda, vocês estão construindo uma pauta? Ilana Strozenberg direcionou a pergunta para Daniela Fi:

“Existe tentativa, sim. Quando se puxa manifestação, normalmente saímos com quatro ou cinco pautas. Os espaços se tornam maiores do que as pautas que são levadas. A gente tem avançado muito, a câmara municipal está ocupada em prol da CPI dos ônibus. Isso é uma pauta concreta para a cidade”, argumentou a colaboradora da mídia Ninja.

Há muitas pautas e muitas redes, defendeu Mayra Jucá, do Viva Favela. “No facebook, a pessoa escolhe fortalecer mais um movimento que outro. E vai encaminhando. Faz muita diferença, hoje, ter os vários coletivos em rede, as pessoas distribuindo suas próprias redes. Aí é que está a grande novidade que a gente ainda está tentando entender.” 

A internet é importante, ratificou Daniela Fi. Mas há ressalvas. “É uma pena que se use uma plataforma privada para fazer esse trabalho, acreditando que o que está no nosso mural é o que está no mundo. Tem essa distorção. A gente não entende que aquela plataforma não realiza o que está acontecendo no mundo, que é tudo muito maior. Urge discutir, pois não dá para o facebook querer que a internet fique aprisionada dentro dele”, afirmou.

Então, às ruas, onde os encontros acontecem de fato, reforçou Veruska Delfino. “O momento é de formação política, principalmente para a cidade. A gente está criando a cidade e não tem de saber quem são os 100 mil. Tem de ir.”

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