Para onde vamos?

 

Maria Alice Rezende de Carvalho: Vamos continuar indo para as ruas sempre que provocados Foto: Marco Sobral

Maria Alice Rezende de Carvalho: Vamos continuar indo para as ruas sempre que provocados Foto: Marco Sobral

Para finalizar o Rio de Encontros, Maria Alice Rezende de Carvalho comentou o que foi dito pela plateia.

Cidade partida

“Historicamente, fomos separando favela de cidade e isso é uma coisa que precisamos acabar. Quem mora na favela também não mora na cidade? O Favela Bairro idealizava uma reurbanização das favelas nos moldes de bairro. Mais importante, hoje, é uma política pública de transportes. A cidade do Rio de Janeiro está ficando pequena. A gente poderia estar cruzando essa cidade de diferentes maneiras. O transporte hoje significa que não importa onde você more, você pode fazer o que quiser nessa cidade.

A rua como instituição

Pensamos muito em instituições de direito (escola, saúde) e esses têm sido os motes em períodos eleitorais. A rua é instituição. No entanto, para nós, não é internalizada como instituição. Para ela estar ali, alguns acordos foram feitos. É preciso pensar as eleições a partir de um plano diretor. De que maneira as ruas vão ser preservadas.

Uma das coisas que se podia fazer são cartografias culturais. Por onde passou a Revolta do Vintém? Isso mostra a nossa História. Nosso passado está nas ruas, não está só no museu. A rua é o nascedouro, é a História.

O português de Portugal tem mais de 200 denominações para rua. Significa que culturas mediterrâneas são populações que entendem espaço público como lugar de boa vida, lugar a se viver.

Periferia e centro

O Rio de Janeiro tem muitas centralidades. São diferentes centralidades para dinamizar a vida. Não podemos reiterar o modelo da cidade partida. Vocês falam pela cidade e não pelos lugares de origem. Não importa onde a gente nasceu. Importa a forma como a gente se apropria da cidade. Eu vi o movimento, estava todo mundo lá. Tem uma coisa que foi sensacional, na manifestação da casa do governador: a Rocinha deu uma aula de reivindicação de cidade. Não queremos coisas inúteis, queremos o plano urbanístico. Saneamento é reivindicação especificamente urbana, estamos demandando por cidade. 

Mundo popular

Restaurar a capacidade de intervir e participar tem a ver com demanda reprimida. Na redação da Constituição, muita coisa voltou a se estruturar. Movimentos, inclusive de moradores, voltaram a ter certa vivacidade. A ida às ruas hoje tem a ver com desejo de participação e decisão sobre a vida na cidade. A Ditadura, no entanto, teve importância no processo de desenvolvimento científico. O sistema de ciência e tecnologia no Brasil tem a ver com aquele período. Essa é uma outra frente de participação democrática. O Livro Branco da Ciência, Tecnologia e Inovação explica o que é fazer ciências sociais e humanidades, evidencia o papel da Ciência e da Tecnologia como instrumentos de progresso e promoção do bem-estar social.

Para onde vamos

O que vamos fazer? Vamos continuar indo para as ruas sempre que provocados. Mas temos de pensar em fóruns e formas transversais de associação. Existem associações e está na hora de começar a juntar tudo isso. Os conselhos são figuras constitucionais. Onde estão os conselhos? Existe o Conselho de Transporte. Tem muitas coisas que poderíamos estar já de alguma forma usando como mecanismo de pressão e participação. Do ponto de vista constitucional, não há nada que nos proíba. Nos processos eleitorais, essas questões vão ficar mais agudas.

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