A plateia se manifesta

 

Jovens na plateia do Rio de Encontros: participação ativa e permanente  Foto: Marco Sobral

Jovens na plateia do Rio de Encontros: participação ativa e permanente Foto: Marco Sobral

Cobri os protestos pela Mídia Ninja e comecei a pensar de acordo com o que fotografei. Com relação ao estilo e aos grupos que existem dentro do protesto, como cada um pode contribuir? Além de ser algo de direitos coletivos, temos de pensar algo que possa atravessar os diversos grupos, que possa resolver em parte as desigualdades espacial, social e econômica que temos. A rua é lugar principal de encontro.”
Hanier Ferrer 

“É pra gente continuar falando do transporte público como direito. É o que talvez nos leve de novo ao centro da cidade. Como a gente pode pensar, agora que se juntou não só pelos 20 centavos? Como a gente pode continuar pensando nisso?”
Manaíra Carneiro

Sou morador da Baixada, moro hoje na Zona Norte, sou ator de teatro de rua, onde essa discussão bomba. A gente começou a pensar um conceito de arte pública. A rua virou ponto a ser tomado e grande lugar de diálogo e de transformação. Praça, laje, esquina, beco… De que forma a gente vai mudar o olhar para esses espaços públicos?
Jorge Veiga

“Existe uma outra classe universitária, uma outra geração que opera códigos que, a princípio, opera como classe média, mas tem origem popular. A gente precisa formar um bloco de unidade em que a pauta das favelas não esteja dispersa nessas manifestações. Para isso, reunimos todos os coletivos. Sobre o centro como lugar de todos e de pertencimento, isso já mudou. A Rocinha desceu, todo mundo desceu e só vão parar quando aparecerem na mídia. A periferia já se mobilizou.”
Bruno F. Duarte

“O encontro e a diversidade é o que constitui a cidade como ela é. Essa coisa de ter habitação de renda variável é sensacional para o desenvolvimento da cidade. É preciso criar atrativo, ambiência, criar a cidade, dar acesso à cidade naquele espaço. Mas tem de preservar o direito individual.”
Manuel Thedim, economista

“Parece novidade, mas nós já estamos nas ruas. Atores, artistas, ambulantes, trabalhadores que voltam para casa todos os dias. Nesse momento, essa voz teve eco, mas sempre esteve aí. Há muitas pautas e, apesar de parecerem de grupos individuais, não são. São casos que nos atravessam. Vim de origem humilde, estou me formando com bolsa, não faço parte do grupo restrito que a mídia apresenta. Mas sou desses grupo que estão na rua com pautas que nos atravessam diariamente.”
Karen Kristen

“São muitas as amarras do setor público. A gente sempre olha pelo que ainda falta, mas nunca olha pelo que já foi conseguido. E muito já se conseguiu. A gente precisa de parcerias público-privadas com o Terceiro Setor. Não pode ser vocês contra o governo. Tem de ser junto. Tem de ter o canal do ‘imagina na Copa’, mas tem de ter um canal de articulação. Alguém sempre vai ter de pagar a conta. Eles, os jovens, não querem a cidade partida, querem a cidade integrada. Ambos têm muito de aprender de parte a parte. É difícil ser eficiente, conseguir recursos. Precisamos de uma cidade com redistribuição de oportunidades. O que vocês querem do ponto de vista de ideologia política? A UPP Social contrata jovens da comunidade porque quer conhecimento profundo e específico. É preciso construir uma grande rede para avançar para uma cidade mais sustentável.”
Eduarda La Rocque, do Instituto Pereira Passos (IPP)

Para quem quiser se aprofundar na questão, o Armazêm de Dados, portal criado em criado em 2001, reúne informações geográficas e estatísticas da cidade do Rio de Janeiro. Estão lá levantamentos e registros administrativos, estudos, pesquisas e mapas.  São 17 aplicativos de acesso livre, 157 mapas, 1074 tabelas e 285 estudos e análises que abrangem temas como território e meio ambiente; população; economia; educação; cultura; turismo; esporte; lazer; infraestrutura; transporte; saúde; uso do solo e dinâmica imobiliária; desenvolvimento social; habitação e segurança pública.

“O Centro é o lugar mais coletivo que tem, ainda é um encontro de todos os movimentos juntos. A classe média está presente e isso não ruim, porque ela fica tão à margem e mais à margem, talvez até mais que a classe baixa. A classe alta paga caro pela escola. A classe média fica num vácuo, tem acesso a pior cultura, vai para o Kinoplex ver filmes americanos. A classe baixa está socialmente muito abaixo, mas está muito melhor culturalmente.
Gabriela Faccioli

“Jovem não é questão de idade cronológica. O que quer a juventude nas ruas? Participar efetivamente nas decisões que são fundamentais para a vida de todo mundo. Fazer parte do que foi dito aqui. Essa concepção de habitação não é ter uma casa e morar. Tem a ver com o lugar onde se está e tem a ver com cartografia afetiva. Você mora e tem ligações afetivas com o lugar. A questão da rua e o lugar onde você mora, quando se fala em manter a pessoa no lugar onde ela vive, se está falando sobretudo de experiências em que se manteve as pessoas morando no lugar onde elas moravam, onde não houve gentrificação. Todo o plano é feito para que as pessoas possam permanecer ali. Renovam-se os centros, mas mantêm-se a padaria, o açougue, o sapateiro. Bologna é um exemplo incrível.”
Claudius Ceccon (Cecip)

“Você tem a sua afetividade local. Falando da Maré, onde eu moro, é uma realidade que a gente tem de transformar. O cara da favela ir ao CCBB, a pessoa de classe média ir à favela. O que eu não conheço, eu temo. São várias realidade que não conhecemos e que, na medida em que se conhece, também se perde o medo. O espaço da rua é claramente um espaço público que se consegue alterar. É muito simbólico o choque na Lapa. O movimento é pelo direito de se locomover. O Passe Livre já pegou porrada na rua há muito tempo. As realidades se cruzam de forma mais objetiva e focada. É uma massa enorme querendo uma única coisa, quero meus direitos.”
Davi Marcos

“Classe média também sofre. Esse é um momento propício para a gente que é da favela reivindicar direitos básicos. Remoções vieram com as ocupações do IPP. Os projetos que tem favela são para garçom. Sou preto e favelado e tenho de ser garçom? Tenho um estado que não me assegura os meus direitos, pelo contrário, me viola.”
Igor de Souza Soares

“Nós falamos o tempo todo de democracia. E essa cidade é a que, historicamente, menos tem tradição democrática. Essa cidade têm ânsia. As associações de moradores não têm democracia interna. Como aproveitar essa força jovem para fazer democracia de verdade? Não há direito de ir e vir nessa cidade porque as pessoas não têm dinheiro para pagar o preço extorsivo da passagem.”
Aspásia Camargo

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