O Rio é nosso, conversa com a plateia

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Claudius Ceccon: “Devemos desejar educação de qualidade para todos. Assim como o hospital também deve ser para todo mundo”
Foto: Ariel Subirá

“Dá para não vender a paisagem? Todos os hotéis vendem seus espaços. E a paisagem tem um significado positivo. É um ativo econômico o tempo todo. Um conteúdo simbólico independente da rua onde está. Como que se incorpora a legislação que nós temos? Como se cola nela? O lixo diminuiu na praia por educação, o que é fundamental. Tem todo um trabalho de educação, sem dúvida. Mas como colar no dirigente municipal?” Thereza Carvalho (UFF)

“Cecília está certa, foi sensacional. As experiências mostram que as crianças têm uma ideia muito clara do lugar onde elas moram e do que elas querem. Resolvemos fazer uma experiencia e dar às crianças do Santa Marta uma câmera. Crianças com idade de quatro e cinco anos. Selecionamos 100 fotos das quase mil que elas tiraram durante um passeio pela comunidade e fizemos uma exposição. E vamos fazer outra, as fotos ficaram fantásticas. Outra ideia, no Chapéu Mangueira, monta o mapa afetivo do local, feito por crianças um pouco maiores, com idade de oito a dez anos. E é incrível, as crianças identificam tudo, sabem exatamente onde está cada coisa. Essa experiência demonstrou que as crianças curtem a natureza e têm essa noção do lugar onde vivem. Incentivar a participação delas no diagnóstico, na elaboração e no acompanhamento do projeto, é uma escola de cidadania como nenhuma outra. Devemos desejar educação de qualidade para todos. Assim como o hospital também deve ser para todo mundo.” Claudius Ceccon (CECIP – Centro de Criação de Imagem Popular)

“As pessoas não aprendem depois dos 15 anos de idade. O custo de se aprender coisas novas quando adultos, é enorme. Criança é que aprende de verdade. E não fui eu que descobri isso. Criança é fundamental.” José Márcio Camargo

“A escola é um lugar para pensar a cidade. A mídia tem uma enorme responsabilidade em relação à atitude que o brasileiro e o carioca têm sobre a cidade. As decisões tomadas agora não ouvem ninguém, não há debate público. Qualquer coisa tem de passar pelo debate. A pressa não é uma desculpa para que não aconteça o debate.” Claudius Ceccon

“Os adultos é que ensinam as crianças. Como transformar a venda privada em benefício público? Quando o hotel se coloca em Ipanema, está vendendo Ipanema, mas se apropria disso privadamente. Como transformar isso em benefício público? Você não vai conseguir dominar o mercado. Não vai. Se ficar na frente, ele vai te derrubar e você vai ficar louco.” José Márcio Camargo

“O projeto Paineiras pretende resolver o problema do estacionamento para o Cristo Redentor. Trago essa inquietação. É serio querer construir um bolsão de estacionamento dentro do Parque da Tijuca.” Isabelle Cury (IPHAN)

“Nós somos desnorteados, a sociedade civil carioca é anômica. As praias do Rio têm uma legislação de proteção. Todo mundo adora fazer espetáculo na praia, mas aquilo é um desastre. Será que não dá para combinar o limite para esse uso? Quais são as regras que temos de aplicar para que seja um poder público articulado? A gente devia colocar nas escolas. Mas a cidade não merece o padrão arquitetônico e urbanístico dos últimos 100 anos. Não precisa ser a monstruosidade que é. Não há nada mais feio que a Voluntários da Pátria e a Rua das Laranjeiras. Cidade tem feiura e tem beleza. A gente devia considerar a beleza como fundamental.” Aspásia Camargo

“O que valorizamos nessa paisagem? Estamos na pré-escola nesse tema. É necessário abrir o diálogo internacional, mas temos de influenciar os decisores aqui. Não podemos continuar conversando em pequeno comitês, sem ter uma ação concreta. Para que serve um plano diretor? A gente constrói na cidade mas não constrói a cidade. Os setores do governo não conversam entre si, não tem visão estratégica. O prefeito não sabe para onde está indo tudo isso. Ele sabe fazer obras, mas não mais que isso. O Banco Mundial lançou o livro ‘A economia da singularidade’, aquilo que o mercado não sabe colocar preço mas que tem valor para a sociedade. O que essa sociedade quer valorar daqui para frente e deixar como legado?” Ephin Shluger ( Urbanista, consultor do Banco Mundial e da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário)

“A gente vive um conflito intenso entre aquele que fica, que é o morador que quer conservar, e o turista, que vem para os eventos. A cidade é uma cidade de eventos. O Cosme Velho é a única passagem para o Cristo Redentor. Há uma ordem geral de aumentar o limite de 360 visitantes por hora para 1200 a cada 40 minutos. Como fica a sustentabilidade da unidade de conservação? Não se consegue conservar a cidade assim. Quais são as sugestões? A gente propôs uma taxa para quem explora (usuários, moradores e gestores). São três instâncias que precisam conversar.” Maria da Silveira Lobo (Viva Cosme Velho)

“A legislação não pode ser isolada, tem de ter um conjunto de normas e desdobramentos. Há vários níveis em que a paisagem tem de ser considerada. Há uma reestruturação da filosofia maior de relação da cidade com a natureza. é preciso um corpo de leis que são legalizados através de decretos e resoluções. Sem dúvida que sem se mexer no códigos de obras e do solo, não se vai a lugar algum. O que choca no caso do Porto é que vamos demolir a Perimetral, mas não vamos substituir o modal do transporte. A cidade orgânica é o oposto da cidade especializada e inorgânica que nós conhecemos, em que todos os elementos são tratados individualmente. Tem de tratar da base orgânica, biológica. Os corredores urbanos estão tão fora da realidade política que não se sabe quantas décadas vão levar até serem acertados.” Aspásia Camargo

“Não vamos fazer confusão. Gosto da ideia da densidade de Copacabana, de se poder acumular mais gente. E essa ideia não entra em contradição com a natureza.” Augusto Ivan

“Os técnicos de fora ficam maravilhados com o visual do Rio, mas não com os serviços da cidade. O que coloca essa questão em outro plano de discussão, o da visibilidade internacional. Isso requer uma politica de salvaguarda, termo não conhecido. Nem o BID nem o Banco Mundial dão dinheiro ou financiam se não houver uma politica de salvaguarda.” Ephin Shluger ( Urbanista, consultor do Banco Mundial e da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário)

“A gente está falando de coisas que estão em mudança. Existe uma busca por valorizar os serviços ecossistêmicos que a natureza nos presta. Na medida em que a gente detona os recursos naturais, detona nossa capacidade de vida. A gente vem caminhando, no Rio, em um sentido oposto. Fazer um campo de golfe numa zona de areal é criar um problema gravíssimo. A gente tem de mudar. E dá para ganhar dinheiro com serviços ecossistêmicos. Existem mecanismos e instrumentos que voltam para a cidade, a gente paga imposto mais caro por morar em áreas mais valorizadas. O povo carioca é muito único. Tenho dificuldade com essa coisa extremamente bagunçada que é o carioca.” Cecília Herzog

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