Diagnósticos participativos

Luciana Phebo, coordenadora do escritório do UNICEF no Rio de Janeiro. Foto: Ariel Subirá

Luciana Phebo, foi direto ao ponto: a dificuldade do diálogo é um dos principais problemas de grandes centros urbanos como Rio de Janeiro. Tanto que quando assumiu a coordenação do escritório do Unicef no Rio de Janeiro, em 2006, tratou de fazer conexões com gente do governo, do terceiro setor e de universidades. Afinal, o que o UNICEF pode agregar a uma cidade como o Rio?

A Plataforma para Centros Urbanos foi uma boa resposta. “As pessoas disseram que, por ser um órgão das Nãções Unidas, o Unicef tem uma possibilidade maior de promover diálogos. Também tínhamos de construir uma plataforma em que o Unicef se mostrasse em centros urbanos, afinal, mais de 50% da população mundial estão nas grandes cidades. Nós precisamos também estar nesses centros”, Luciana explicou como surgiu o projeto cuja proposta é a redução das disparidades urbanas que influenciam na forma de viver das crianças na cidade.

Desenvolvida no Rio e em São Paulo simultaneamente, a Plataforma de Centros Urbanos foi constuída de forma participativa. Reúne quem forma opinião e quem vive nas comunidades. Duas visões que se comunicam e  se complementam. “Íamos trabalhar com informação, dados, indicadores. Mas a proposta não era trabalhar com as médias da cidade, e sim com os dados desagregados, os dados da Cidade de Deus com os do Borel, por exemplo. Dos indicadores, avaliamos se houve uma melhora na média, é a cidade comparada com ela mesma, em ponto de partida e ponto de chegada, para avaliar se houve redução das disparidades”, explicou Luciana.

O Brasil vai bem em metas. Mas as aparências dos indicadores enganam. “Se avaliarmos nossas médias, estamos bem. Por elas, o Unicef não precisaria estar aqui. Mas vai na Amazônia, vai na favela do Rio de Janeiro”, é lá, segundo Luciana, que as desconformidades ficam mais evidentes.

Quanto mais qualificada a informação, mas precisas podem ser as ações. “No
Rio, trabalhamos a territorialidade e a espacialização. Damos apoio a
gestores, fazemos cruzar novos conhecimentos”, disse ela, que esteve à frente
de todo o primeiro ciclo do trabalho, de 2008 a 2012.

Na Plataforma, o Unicef entra com a metodologia e a comunidade ganha espaço para qualificar suas próprias demandas. “A proposta é considerar os vários micropoderes que existem dentro das comunidades (associação de moradores, redes de jovens, organizações comunitárias), e juntar essas turmas e grupos de articuladores locais para que eles gerem seus próprios diagnósticos participativos”, explicou Luciana.

Com o diálogo aberto, os jovens também participam. “E participam muito. Eles querem melhorar a cidade, o lugar onde moram. É preciso acreditar na comunidade, na força jovem, acreditar nas soluções que eles mesmos propõem. Quando a gente pergunta para os jovens os seus problemas, aparecem coisas que você nem imagina”, disse ela, pronta para o segundo ciclo, que começa em 2013.

O Rio, como São Paulo, foi certificada. A ideia agora é chegar a outros centros urbanos e, com o foco na territorialidade, fazer arrticulação com o poder público para garantir que os direitos da criança sejam respeitados. “É preciso acreditar na força do jovem, do menino, da menina das comunidades; e na cidade, nos centros urbanos, local onde os diferentes fazem a força, onde as coisas estão acontecendo”, afirmou Luciana. É assim que a Plataforma pretende contribuir para fortalecer a coesão social e o sentimento de pertencimento.

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