Rio, como – e para onde – vamos?

Thereza Lobo, coordenadora executiva do Rio Como Vamos. Foto: Ariel Subirá

Criado há cinco anos, o Rio Como Vamos tem pouca idade e já enfrenta dilemas de adulto. Mas se alguém perguntar para onde a cidade deve caminhar, a resposta é rápida.

“É muito bom distribuir informações, ideias e angústias. É o que nós fazemos. A ideia, desde o início, era de que a gente, como faz, lançasse alertas. Cinco anos atrás, tínhamos uma cidade deprimida, com autoestima baixíssima, à beira do precipício. Era uma cidade maltratrada, resultado dos efeitos maléficos de sucessivos governos”, explicou, de pronto, a coordenadora executiva Thereza Lobo.

Está na origem do movimento trabalhar com informação. “Estamos na era do conhecimento, então vamos usar esse conhecimento. Nós acreditamos que o Rio de Janeiro merece conhecer o que acontece, que a população precisa saber. Participação sem informação é manipulação. O que nós queremos é dizer que a população, quanto mais bem informada, melhor poderá lutar para que a cidade seja o que efetivamente merece.”

Por que a Cidade de Deus está sempre aparece nos mapas na cor mais escura? O que isso significa? Para o Rio Como Vamos, é fundamental identificar tendências. “Nós construímos indicadores em cima do existente, dos registros públicos. O que a gente agrega de valor é a espacialização. 86% dos jovens da Cidade de Deus estão atrasados pelo menos dois anos no ensino médio. Como você pode dizer que o destino desses jovens pode ser glorioso se eles estão nessa situação? As portas foram abertas para eles irem embora”, ela deu o exemplo.

A informação, segundo a socióloga, só faz sentido se é usada. “Essa é a regra do Rio Como Vamos: ter apenas indicador que se usa. Como se usa? Na interlocução com o poder público. Na interlocução com a sociedade. Todos sabem do nosso grau de apartidarismo. Há metas, os planos estratégicos para a cidade têm metas, e nós temos uma matriz de acompanhamento de políticas públicas”, afirmou.

Com quem e como eles falam? “A gente fala com os órgãos públicos. A prefeitura pediu que víssemos o que estava sendo proposto para o Alemão, para avaliarmos se estava coerente. Somos chamados a ir a determinadas áreas da cidade para falar da situação daquela área comparada com outras áreas da cidade”, ela enumerou parte do trabalho, que envolve dialogar também com os formadores de opinião. “Temos uma página mensal no jornal O Globo, e vamos aproveitando outras mídias que porventura passem na nossa frente. A gente quer que a informação circule.”

O que fazer com isso?

O cidadão bem informado sabe cobrar melhor. O cidadão bem informado também se comporta melhor. E tão importante quanto o que o cidadão sabe ou como age, é em que momento a gestão pública vai dar o salto qualitativo para que programas de governo passem a ser políticas de estado.

“Quem garante que o Saúde da Família veio para ficar? Como é que avançamos na direção de políticas duradouras, independentemente de quem chegue? É absolutamente fantástico ter a capacidade de dizer para onde deve caminhar a cidade”, Thereza pontuou. Para início de conversa.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s