Na pressão

Miguel Lago, diretor-presidente do Meu Rio. Foto: Ariel Subirá

Gente jovem reunida pode fazer muito estardalhaço e a turma do Meu Rio sabe disso. Para quem nasceu quase com o mouse na mão, é pela internet que eles fazem barulho. Mas o objetivo da plataforma virtual é provocar mudanças no mundo real. Inclusive distribuir atribuições e dividir soluções.

“O Rio passa por um momento extraordinário, de alinhamento quase inédito entre os governos federal, estadual e municipal. Mas a gente não sabe se esse alinhamento vai prosseguir. Daí é importante a gente tomar a cidade”, avisou Miguel Lago, co-fundador do Meu Rio, junto com o economista André Urani (1960-2011). “O carioca tem de se preparar para os eventos e tem de ser digno da cidade que tem, esse é o discurso oficial. O que André dizia é que a cidade também tem de ser digna de seus cidadãos. O carioca tem de ser digno, mas a cidade também tem de dar dignidade. O Rio é uma cidade muito cara e os serviços públicos não funcionam”, Miguel contou sobre a origem do movimento.

O momento é único, mas absolutamente frágil. Não é à toa que, na estratégia do Meu Rio, informação e participação estão intrinsecamente vinculadas. “Usamos a informação ao máximo para mudar a situação e os equívocos que ela aponta”, disse o diretor-presidente.

A informação circula, mas a escala de participação na cidade é localizada. Contra essa corrente, o Meu Rio atua em três frentes: o desenvolvimento de ferramentas e interfaces online; produção de conteúdo, que envolve transformar temas complexos numa linguagem mais jovem e mais próxima; e as campanhas, que são o carro-chefe.

“Quantas pessoas precisamos mobilizar para obter essas mudanças? Como esse cidadão vai influenciar a maneira como a cidade está sendo conduzida? Criamos espaços de participação, conteúdos,  e fazemos campanhas. O Meu Rio é voltado para a ação”, Miguel resumiu bem a experiência, que já rendeu algumas conclusões. Uma delas é sobre quem melhor acolhe as queixas. “O legislativo está muito mais receptivo do que o executivo. É onde a gente sente muito mais sensibilidade.”

As campanhas também já deram prova de que a pressão faz a força. “O Meu Rio trata questões que são mais da cidade como um todo. Já foram mais de 100 pedidos de campanha”, Miguel contabilizou também as vitórias. As barcas, por exemplo, voltaram atrás na resolução de cobrar mais pelo excesso de bagagem.

“O que a gente quer é ter uma plataforma descentralizada em que todas as plataformas possam estar juntas”, Miguel anunciou o desejo. A cidade, afinal, não é homogênea.

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