Quem diz e quem ouve?

Julia Michaels, do Rio Real Blog: Como nos fortalecer para sermos ouvidos pelo executivo? Foto/Ariel Subirá

“Falta diálogo com o executivo. O prefeito acaba de anunciar aumento de tarifa de ônibus, unilateralmente. Cerca de 19 organizações se juntaram para protestar contra o metrô na Praça Nossa Senhora da Paz, e não deu em nada. Como vai ser a moradia na área do Porto? Como nos fortalecer para sermos ouvidos pelo executivo?”
Julia Michaels, Rio Real Blog

Miguel Lago – Você disse que esse governo não escuta nada do que a gente fala, mas isso se dá em todos os sentidos e esferas. O prefeito não escuta, o governo não escuta, não se debate. Não é questão de ser Eduardo Paes ou Sérgio Cabral. O problema é a democracia “delegativa”. É tudo de cima para baixo. A esquerda vai abrir mais a participação? Mas vai abrir para quem é favorável a ela. É uma questão mais estrutural. Mas acho que vai mudar pouco a pouco. Até porque é fundamental. Se a gente sempre for derrotado pelo governo, qual o estímulo para a participação?

“Qual a interlocução com as pessoas que estão fazendo uso desses indicadores, a mídia, em particular? Como o jornalismo está contribuindo para esse cenário?
Roberta Marques, Instituto Desiderata

Thereza Lobo – Qualquer coisa, agora, você cria um conjunto de indicadores e sai defendendo isso como verdade. É a doença do “indicadorismo” que, como todo vírus, traz consequências. Na minha época de faculdade havia a humildade científica: o que a realidade está mostrando pra gente que precisa ser redefinido? Quando chegamos mais perto do executivo, nossa argumentação precisa melhorar. As armas estão dadas. Já ouvimos, no Rio Como Vamos, “ué, mas são dados de 2011”. A informação tem de ser do aqui e do agora, como se essa informação não tivesse história. O que é isso? Que indicadores são esses? Soltar números é indicador de marketing e conclusões apressadas – para o bem ou para o mal – saem desses números.

Cindy Lessa – Temos de olhar para outras formas de mudanças sociais, que se dão nas pessoas, nos lugares, nos indivíduos. E precisamos apoiar essas inovações para que elas funcionem e causem mais efeitos.

Luciana Phebo – Quando a gente fala de ensino fundamental, por exemplo, parece uma coisa resolvida: 98% das crianças têm acesso. Mas 2% são cerca de 500 mil crianças. É muita criança. Não podemos prescindir dos indicadores, mesmo os velhos, os antiquados que estão aí. Não podemos pensar no todo, precisamos pensar em cada um. Essa agenda não será finalizada se cada uma das crianças não estiver na escola. A mídia ainda é formadora de opinião, mas as redes sociais ganham mais espaço a cada dia. Os jovens e as próprias crianças usam essas redes e podem promover mais mudanças. É uma nova forma de pauta e formar opinião. O importante é dar espaço para os jovens, para a garotada, para os meninos e meninas participarem.

Miguel Lago – A apropriação do discurso se dá pelos políticos e pela mídia também. O indicador comunica muito rapidamente, porque ele sintetiza. Você pode dizer o que quiser, de maneira sintética, e ainda com comprovação científica. A lógica das nossas democracias, é também do estado. Há poucos jornais, poucos canais de comunicação. Na medida em que outras organizações vão surgindo, se estabelecem outros tipos de relação.

Ilana Strozenberg – Se a gente tem de combinar alguma coisa, por que não combina em torno de indicadores? Um debate comum sobre como eles podem ser construídos, alterados e atualizados? Uma nova discussão sobre indicadores fica como proposta prática para encontros futuros.

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