Rio em movimento

Rio de Encontros sobre cidadania e hierarquia dos espaços da cidade: a conversa se estende à plateia. Foto/Ariel Subirá

“No Rio de Janeiro, a periferia é a grande esperança, porque contém expressões autênticas. No resto da cidade, tudo se vende a preço de nada. Trabalho com associação das escolas de samba do grupo de acesso, o grande celeiro do samba do Rio. Pensamos num projeto que seria o contrário do sambódromo, um espaço em que as pessoas possam se agregar. Mas existe uma segmentação no diálogo entre os espaços privilegiados e os que têm menos acesso às autoridades. Nao é falta de recurso. A grande questão é a da distribuição, da governabilidade, da governança. O problema é a pobre gestão do tema público, não é pobreza. O dinheiro é nosso, a gente deveria ter voz para determinar o que é prioritário.” (Ephim Shluger)

Qual a lógica que a gente tem? Não podemos ser ingênuos quanto a dinâmica de valorização de determinadas áreas ou da cidade como um todo. Não posso ter um ônibus mais caro no Rio do que em Berlim ou em Londres. O momento é favorável às contenções. Os investimentos têm um prazo, em 2016 acabou. O preço desses elementos todos precisa ser debatido.” (Cunca)

“Um morador da Rocinha, certa vez, me disse que a Rocinha é uma mas é muitas. A palavra comunidade é mais absorção de um conceito técnico. É favela mesmo, é favela com orgulho, pelo que representa. Trabalhar uma parcela do território sem trabalhar uma área maior. a tendencia é verificar o que eu posso enfiar no lote, sem me preocupar com o papel que o bairro representa na cidade. A maneira como se regula a ocupação das parcelas do bairro é equivocada. Problema de gestão, como a organização setorialista da estrutura de governo. Não há uma base territorial que faça as secretarias dialogarem e fazerem soluções integradas. É um problema de governança local e da própria estrutura que gere a cidade.” (Manoel Ribeiro)

Ilana Strozenberg, diretora acadêmica d’O Instituto, que promove o Rio de Encontros. Foto/Ariel Subirá

“Há um Rio subterrâneo. Como fazer com que as coisas permaneçam e não sejam apenas um momento de festa, que sejam um modo de viver a cidade? Como pensar o território em uma cidade que tenha organicidade? Uma das características positivas do Rio é que é uma cidade onde está tudo junto e misturado. A favela está dentro. Mas quando a ênfase na ideia de território pode vir a modificar os modos de pensar a cidade?” (Ilana Strozenberg)

“É preciso debater o metrô, o trem, a UPA, a UPP. O debate eleitoral do Rio indica uma posição diferente dos outros estados, se polariza de maneira muito precisa. No fucro da questão existe uma luta territorial precisa. Qual é o modelo de transporte? A fuga pra diante permanente é um risco brutal. Todo lado simpático da experimentação não deve perder isso de vista. O mais não significa necessáriamente melhor. Como diminuir as distâncias? Qualificando os já existentes. A cidade está em movimento.” (Cunca)

“Não adianta plastificar a comunidade, o povo não é mais burro. Como você vai levar dignidade a uma pessoa abandonada há 70 anos?” (Zé Mário Hilário dos Santos, do Morro Dona Marta)

“Política de segurança coordena Política social? Espero que isso nunca mais aconteça. A política de faroeste se impôs em muitas favelas, também como resultado de uma política de segurança que não é a que eu defendo. Hoje, nós estamos com a UPP diante de uma presença do estado republicano tardio, quando o próprio estado perdeu sua soberania. Concordo bastante sobre que a política urbana em jogo não é mais uma política de segurança. Precisamos entender agora que projeto de cidade nós vamos defender e construir. É o de reprodução de desigualdade e desencontro e constituição de diferenças ou um Rio de encontros? Que novas subjetividades e novos atores políticos entrem e façam uma cidade que seja generosa com o seu futuro.” (Jorge Barbosa)

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