Cidade das intensidades

Pedro Paulo Cunca Bocayuva e Mariana Cavalcanti: provocador e mediadora no Rio de Encontros. Foto/Ariel Subirá

Se as cidades sao medidas em função de intensidades, o Rio de Janeiro é uma cidade de intensidades por excelência. Pedro Paulo Cunca Bocayuva, coordenador do Núcleo de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade do BRICS Policy Center, tem um discurso ágil.

Ser uma cidade de intensidades, segundo ele, significa ter como marca a tensão entre três agendas, contraditórias nas suas relações, que são: a atratividade de capital; a mobilidade social, marcada pela gentrificação; e o direito à cidade, ou seja, a periferia e as classes populares ganham reconhecimento.

“A chave que tenta articulá-las é hoje chamada de empreendedorismo urbano. Não necessariamente isso a torna uma cidade global, mas de certo modo ela se torna atrativa. De maneira mais radical, o Rio, como espaço de experimentação sistêmica, nesse momento traz uma agenda. Falamos a partir de algum lugar”, ele afirmou.

A partir da leitura formal de uma cidade Bric, Cunca afirma que o Rio, em função de sua localização, está no centro. “O corpo, o samba, os interesses, os jogos de força, tudo é visível, todos os elementos são transparentes e as imagens circulam de maneira muito intensa. A cidade em si tem uma semiologia e uma dinâmica imaginária e tem também um território produtivo”, ressaltou.

A informalidade é parte do dinamismo produtivo brasileiro que, por sua vez, está ligado às lógicas de rede. Há, claro, as zonas de exclusão. E por que o gueto nao vinga? Pelo modo de construção proprietário da cidade, Cunca pergunta e dá a resposta ao mesmo tempo. “Os assentamentos urbanos são ilegais massivamente. Historicamente, as classes médias dominantes são ilegais. As terras são ilegais no Leblon, toda a costa é ilegal, todos os assentamentos são classicamente ocupação”, está explicado.

As forças sociais, no entanto, se manifestam. “No Rio de Janeiro, favelado tem direito e isso é transformador. O centro tem necessidade da força de trabalho da periferia, que quer ser centro, numa dinâmica que quebra a metrópole e cria outras centralidades” ele afirmou.

Mas como lidar com várias centralidades não está no debate e a razão é simples: “Não interessa a ninguém  Cabe a mim apresentar um imaginário. A nova economia de serviços gera uma nova centralidade dentro das periferias”, disse. Como se produz essas centralidades? Essa é uma pergunta que tem muitos desdobramentos, ponderou Cunca.

O que o Rio tem além do melhor Carnaval do mundo é o desenvolvimento de uma arquitetura e de um urbanismo que pensam a favela. “Falta ver as limitações, as ideias não incorporadas e a enorme tecnologia social. Pensar a produção da cidade a partir da qualificação dos territórios construídos. Vistas de cima, as coisas já estão se combinando. Tem a ver com uma conjuntura brasileira, mas pode ser, de uma maneira, útil no aspecto global. Afinal, por uma escola, um transporte e um hospital na favela é essencial. Reduz custos.”

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