Alô Rio de Janeiro

Vera Íris Paternostro, gerente de Desenvolvimento do Jornalismo da TV Globo e uma das idealizadoras do projeto Parceiros RJ. Foto: Ariel Subirá

Um projeto muito caro, querido e revolucionário. Essa é a definição de Vera Íris Paternostro para o Parceiro do RJ, projeto em que a TV Globo abriu as portas, ou as pautas do jornalismo, para uma turma nada acostumada a ganhar a vez para contar suas histórias.

Os autores do projeto, segundo Vera, foram os próprios jovens. “Eles nos ensinaram muito nesse um ano e meio. Foi algo inédito e inovador dentro dos padrões de trabalho da TV Globo. Tivemos de mudar nossos padrões de trabalho interno, desde o recrutamento, que foi feito em comunidades.”

O projeto abrange, além do Rio, Brasília e São Paulo. Foram 12500 inscritos, jovens de 18 a 30 anos vindos das favelas do Rio, da periferia de São Paulo e das cidades-satélites de Brasília. “O objetivo era trazer moradoras de lugares como esses, que fizessem jornalismo, que trouxessem para os jornais locais o olhar deles. Interessava, essencialmente, o olhar de moradores daquele lugar sobre o qual se estava falando”, Vera explicou.

Para conquistar uma das 44 vagas, que dariam direito a equipamento e a treinamento técnico, era preciso demonstrar talento. “Mas queríamos, principalmente, que eles mantivessem sua autenticidade e que não se transformassem por estar dentro daquele lugar que era a TV Globo.”

O projeto significou ruptura de padrão para a própria emissora. “A engenharia da Rede Globo é muito rígida, eles não dariam um equipamento para quem mora em favela. Eles não apenas fizeram isso, mas ensinaram como usar”, ela ressaltou.

O ganho foi de mão dupla. Os jovens mergulharam np admirável mundo novo da televisão, a televisão mergulhou no até então inóspito território das favelas. “A TV Globo tinha interesse em avançar nas classes sociais mais baixas, isso era estratégico. E, ao mesmo tempo, viu como era importante ter essas pessoas circulando entre nós. Os telejornais locais recebram um material inimaginável pela reportagem oficial. O repórter nunca faria o que o Tiago e a Lana poderiam fazer: o diagnóstico e a denúncia dos problemas nessas comunidades”, Vera deu por certo.

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