Sujeito sensível

Jailson de Souza e Silva, professor UFF e fundador do Observatório das Favelas – Foto: Ariel Subirá

Minoria numa mesa formada por quatro mulheres, Jailson de Souza e Silva entende do que o lápis risca. Há 30 anos em sala de aula, ele aprendeu – e passa adiante – que a educação pode ter muitas nuances mas são dois os seus eixos fundamentais: a luta pela iguadade, legado do século XIX; e o direito à diferença, herança do século XX. “O século XXI torna inseparáveis essas questões. Hoje, é necessário vincular a igualdade no campo da dignididade, como direito”, ele parte daí para explicar as dimensões básicas em quaisquer projetos de educação.

“O direito à autenticidade, a dimensão singular subjetiva, sou Jailson, negro, nordestino, hetero, professor, fluminense, sulamericano e assim vai; meus pertencimentos sociais – dos quais não posso abrir mão -, que formam a dimensão particular social; a dimensão humano-genérica, ou seja, me reconheço e reconheço o outro, trabalho a comunhão para me relacionar com o outro; e, por fim, a quarta dimensão é a de que somos seres globais, ecológicos”, ele explica o que fundamenta o trabalho no Observatório de Favelas. “Queremos o garoto da Rocinha e o do Leblon. A concepção do encontro é fundamental. Bondade, fraternidade, amorosidade.”

A educação, segundo o professor da UFF, é importante demais para ficar só na escola, precisa abarcar outros ambientes, acontecer em todos os níveis. “É preciso desenvolver racionalidade, cognição, capacidade sistemática de ir além do senso comum. Atentar para a Ética, porque a educação tem de trabalhar valores. Tão importante também é a dimensão estética, desenvolver a plenitude como sujeito, estabelecer uma relação sensível com o mundo”, defende.

A escola que está aí, portanto, não funciona. ” Temos um sistema medíocre no sentido epistemológico. No campo da escola primária e secundária, trabalhamos conteúdos inúteis que não fazem sentido. Objetivamente, aprendemos um monte de coisas que têm como único objetivo queimar etapas, no caso, o vestibular”, ele afirma que qualquer conteúdo tem de ter significado para a interpretação da realidade. A cidade também precisa ser educadora.

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