Escola com significado

Vilma Guimarães, gerente geral de educação da Fundação Roberto Marinho – Foto: Ariel Subirá

A escola precisa ir além dos próprios muros e ultrapassar o currículo seriado, em que a formação segue na contramão da vida. Para Vilma Guimarães, gerente geral de educação da Fundação Roberto Marinho, o Brasil já sabe como criar a escola que promove o aprendizado com sentido, com ética e respeito à identidade de cada um. Falta por em prática as lições. “A alternativa para a educação de qualidade dar certo é a possibilidade de acolher com ciência, consciência e dignidade. Isso o Brasil já sabe fazer. Temos um elenco muitíssimo qualificado de alternativas. Só falta vontade política, assumir o compromisso. Botamos o aluno dentro da escola, mas ainda não conseguimos segurar esse aluno”, afirma.

O acesso é universal mas a permanência fica aquém. O fracasso escolar, segundo Vilma, está ligado à desconexão da escola com a realidade. O aluno está no século XXI mas a escola permanece no século XIX. Atada. Educação e cultura, por exemplo, não se descolam. “É uma separação impossível de acontecer. Somos um ser que lê, que canta, que bate papo, que deseja. Há muitos espaços de aprendizagem. Não é mais apenas a escola. O menino quer muito mais do que tem na escola. O tempo é definidor, é um icone do nosso século. A escola tem de abraçar metodologias alternativas para fazer com que o aluno avance na sua busca, no ponto de vista da provocação, que a capacidade de sonhar não se esgote na escola mas se renove todos os dias”, defende.

Não é utopia, a experiência de Vilma Guimarães na busca e na implementação de alternativas, como o Telecurso, é prova do que é possível executar. A escola próxima da ideal é aquela em que o aluno compreende que não há uma única resposta para um determinado problema, mas uma diversidade de respostas. A vida, aliás, é assim. Oferece milhares de alternativas. A escola básica tem de oferecer ao aluno a possibilidade de desenvolver sua capacidade de trabalhar em grupo, de respeitar o outro.

O currículo tem de abarcar a diversidade em todas as suas dimensões, inclusive de caminhos. A universidade não é o único. “A grande massa se prepara para a corrida da universidade como se lá estivessem as respostas para todas as dúvidas e anseios. Ou você passa no vestibular ou está condenado à exclusão. Somos uma caixinha de surpresa. A gente esquece rapidamente o que não nos interessa”, daí que o currículo falha, segundo Vilma, por não ofertar o aprender com significado, com sentido, com ética, com respeito ao que cada um tem.

A teoria do conjunto perdeu o sentido, o google dá respostas para tudo ou quase tudo, o aluno, se não vê significado, foge. Assumir o fracasso é essencial, segundo Vilma, para seguir rumo ao que pode ser a construção de um aprendizado mais libertário. “Os espaços de aprendizagem que sempre existiram, e existem hoje numa proporção ainda maior, preciaam ser usados. No cinema, na feira, na calçada, é a vida, é o ser que precisa ser desenvolvido. Quem sou eu, para onde vou?”. Os conteúdos podem, sim, ocupar compartimentos disciplinares que possam dar conta da formalidade. “Mas não é preciso que se esteja amarrado. É possível formar outros elos, desenvolver a minha totalidade, no meu tempo, com a minha história. Precisamos preparar as pessoas para serem felizes.”

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