Ao mestre, a ousadia

Delânia Cavalcante, coordenadora da Central de Relacionamentos da Scretaroa de Educação do Estado RJ – Foto: Ariel Subirá

Delânia Cavalcante, coordenadora da Central de Relacionamentos com o Usuário da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro não poupa verbos para falar do que considera essencial. A saída para a educação passa por ações continuadas e também por trazer o professor para o século XIX. “Educação pressupõe o professor, o formador de opinião daquele grupo que está ali. Toda vida que se fala em educação os governos são messiânicos, dizem que seu projeto vai mudar a estrutura… isso não existe. O tempo de resolver não é o tempo de um governo. Na prática de quem trabalha, o desafio de melhorar a escola pública é a descontinuidade. A educação pressupõe um professor e a escola pressupõe participação. Qual o papel do professor hoje?”, ela questiona. “Como usar a informação do google? É a í que entra o professor. Só que o professor da escola pública brasileira está cansado. Minha prática laboral diária mostra que esse professor está descrente”, afirma Delânia.

Descrente e desanimado. Se a proposta é sair do dia a dia, do quadrado da sala de aula, o aluno quase sempre diz sim, eu quero. O professor olha e reage com reticência. “Ao mesmo tempo existe uma vontade, um amor, o que se percebe por conta dessa desassociação de cultura e educação. O papel do professor é uma questão muito séria. Tem uma questão do patrão que não faz uma formação continuada. O mundo vai mudando e a escola tem de acompanhar essa mudança. O professor precisa se sentir valorizado”, defende.

Para DeLãnia, é preciso mudar parãmetros, tirar o professor do século XIX, dizer para ele que a internet, por exemplo,é boa e pode ser útil. “A educação no Rio de Janeiro teve um sopro de diferença para esse professor quando entrou a prática diferenciada de educação que foi o telecurso. O professor percebeu que podia ousar, podia misturar conteúdos, a matemática com a geografia”, avalia. O problema, mais uma vez, é o fantasma da descontinuidade. “Ao mesmo tempo que gostava, ele já esperava o fim do projeto”.

A gestão da informação dá a Delânia uma percepção diferenciada. Permite que ela conheça o perfil do professor, da escola, do pai, que quer saber como manter o filho na escola, e do aluno. “Os meninos têm fome de saber, de conhecimento, eles querem mais da vida. Ao abandonar a escola que não é intregralizada, eles sofrem. Quando eles percebem que podem ficar, é uma felicidade”, afirma.

Qualquer projeto para educação, segundo a coordenadora, passa pelo bem estar do professor. “Ou não adianta entrar com projeto. O aluno vai sempre querer algo novo. O professor, que dá dois tempos de aula em escolas diferentes, não”, pondera. Segundo ela, é preciso entender, também, qual o professor que se quer.

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