Resumo acadêmico

Provocações de Rosana Heringer, professora da UFRJ – Foto: Ariel Subirá

Uma provocação puxa outra. Rosana Heringer aproveitou a deixa de Delânia Cavalcante sobre o aspecto messiânico das práticas educacionais para ressaltar, de início, o que ela vê como falha: o discurso político consensual de que a educação é importante. Um consenso, segundo ela, trágico porque não se porque não se realiza na prática.

“Todos concordam que educação é importante, mas isso não leva a ações. Podia ter alguem que dissesse não, educação não é importante. Quem sabe a ausência do consenso gerasse uma ação efetiva de melhoria de educação”, sugere.

Melhorar, para Rosana, significa refazer ou repensar percursos. “Muito do que é feito hoje no ensino básico tem como finalidade fazer com que o aluno chegue ao ensino superior. Se a gente pensa no público para o qual o ensino superior se expande hoje, a meta de inclusão de 30% dos jovens de 18 a 24 anos é ambiciosa. Estamos em 13%. Para chegar a essa meta do novo Plano Nacional de Educação, não são os filhos da classe média que vão entrar, esses já estão. Quem vai entrar são os pobres, os negros, os jovens da periferia”, ela faz a previsão.

De volta a uma das perguntas iniciais sobre se é possível fazer dialogar saberes acadêmicos e expressões culturais locais, Rosana ponderou que existem, nos diversos ciclos de ensino, experiências que devem ser consideradas. “É possível o diálogo? É possível e se está fazendo isso em muitos lugares, as experiências estão acontecendo o tempo todo, mas é preciso potencializar ainda mais. As pessoas estão muito preocupadas com sua produção acadêmica e suas projeções de carreira que acabam esquecendo um pouco os porquês de estarem ali”, afirma.

É importante, segundo Rosana, estar atento ao papel do professor como mediador, o instrutor, aquele que ajuda o aluno a selecionar. “O quanto podemos trabalhar junto com os professores? É preciso expandir programas de formação que de fato tragam o estímulo, a criatividade e a vontade dos professores se empenharem”, ao mesmo tempo em que questiona, ela aponta um caminho. Para funcionar e ser uma experiência significativa, os projetos devem conter, na sua gênese, a tendência ao diálogo. A universidade, por sua vez, deve estar aberta às muitas vozes que chegam.

Para exemplificar as contradições, Rosana fez questão de compartilhar uma experiência pontual  na Cidade de Deus, com alunos do terceiro ano do ensino médio sobre a expectativa deles de entrada no ensino superior. Em período pré-Enem, a constatação foi de que a universidade não fazia parte do universo deles. “Lá, obviamente, minha pesquisa quase virou projeto de intervenção”, Rosana levou estudantes da Faculdade de Educação para uma conversa produtiva sobre  o que é, como entrar e para que serve a universidade. “Ainda não fiz as contas de quantos se inscreveram no Enem, mas esse tipo de diálogo deve acontecer de forma permanente”, assegura.

A comunidade acadêmica tem de se envolver nessa seara que também é dela. Disso, Rosana diz não ter nenhuma dúvida.

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