Quanto vale um rio limpo?

Emmanoel Boff, economista e professor da UFF, no Rio de Encontros sobre Empreendedorismo e Sustentabilidade (Foto: Ariel Subirá)

O economista e professor da UFF Emmanoel Boff tem muitas histórias para contar. Muitas delas colhidas no projeto que desenvolve sobre a influência das instituições na valoração do rio Suruí, em Magé (RJ). Além dos estudos e leituras, é de lá que ele traz uma visão otimista de temas que podem parecer paradoxais. Empreendedorismo e sustentabilidade não são antagônicos, ele garante.

“A primeira ideia que a gente tem quando fala de empreendedorismo e sustentabilidade é de contradição. Aumento do PIB, do consumo, isso vai contra a ideia de sustentabilidade, ao tripé da sustentabilidade ambiental, economica e social, que começou 20 anos atrás, na Rio 92. Mas elas não precisam entrar em conflito”, diz Emmanoel.

Empreendedorismo, reforça Boff, não significa, necessariamente, que o que se quer é que as pessoas produzam e consumam mais. “Não quer dizer que esse consumo precisa ser de bens ou serviços fisicos. O que se valoriza hoje em dia é a conexão, a informação e os bens simbólicos. A gente vai ao supermercado e compra um chocolate que vale cinco reais, mas se leva um coelho na caixa, o preço triplica. O aspecto simbólico dos bens é importante para fazer crescer o PIB. Mas não há necessidade explícita, para aumentar o PIB, de se destruir o meio ambiente”, ele assegura.

Um bom exemplo é o turismo sustentável, feito a partir da valorização do ambiente e das histórias de pessoas e lugares como Magé, onde ele desenvolve a pesquisa em parceria com a ONG Água Doce. “É muito específico, envolve cerca de duas mil famílias no entorno do rio Suruí, um trabalho que começou depois das enchentes em Petrópolis (1988). O meu pai começou a fazer um projeto e, dentro disso, comecei a fazer um trabalho de comunicação. A ideia, agora, é saber como as pessoas que moram naquele entorno valoram o rio. Basicamente, a gente pergunta para as pessoas quanto elas estão dispostas a pagar para limpar rio. Com isso, medimos a disposição a pagar ou a trabalhar pela limpeza da área, e verificamos a consciência e o capital social”, ele explica.

O trabalho consiste, em síntese, em verificar se as redes das quais as pessoas participam têm alguma influência na forma como elas se relacionam com o meio. E deve resultar também em projeto especifico de educação ambiental sustentável.

“A gente precisa aumentar o capital social. Como se pode valorizar o ambiente e as histórias, como tirar daí sustentabilidade? Pode ser possível tirar dinheiro dali. É preciso, para isso, aumentar a confiança individual”, finaliza.

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