Empreendedorismo e sustentabilidade: segurança, cultura e educação pela plateia

Rio de Encontros: empreendedorismo e sustentabilidade (Foto: Ariel Subirá)

Como foi a performance dessas marcas (empresas) no morro do Chapéu Mangueira? A população não tinha um padrão de renda para que a marca se relacionasse com ela. Agora, tem. As marcas foram lá oferecendo os mesmos serviços de sempre ou houve inovação de modelo de negócio, não houve inovação de fomento? Se fez mais do mesmo e a relação ainda é uma relação de busca de consumidor? A favela é laboratório para produtos e relações de mercado? Vou usar uma ação de mercado para melhorar a minha reputação, é isso que as empresas pensam?

O banco estava ofertando aqueles produtos a partir da demanda e das perspectivas. Ocorreu melhor do que se esperava e do que o possível, no entanto, não chegamos a um nível ideal ainda.
Mariana Meirelles, CEBDS

A Mané Produções tem uma questão objetiva, que é reativar o baile funk. De uma forma geral, as relações entre as marcas e os territórios são uma relação de subordinação. Sobre a discussão do baile funk, a gente não já passou pelo mesmo no caso do samba?

Na identificação das sete linhas de ação do Rio Cidade Sustentável, há uma para cultura. O projeto tem um ciclo, termina no final do ano. Tem um ciclo de monitoramento e avaliação, bastante crítico. A ideia é que o projeto seja replicável em outras áreas. Para tanto, tem de tocar nas feridas, corrigir as falhas de concepção e de implementação. Empresas atuam individualmente, mas um conjunto de empresas atuando em parceria com o estado, isso é muito novo. A gente pretende expor todas as dificuldades, oportunidades e melhorias.
Mariana Meirelles, CEBDS

Nessa agenda é que se deve pensar a questão do baile funk. Como  a gente consegue descriminalizar? A questão é que, de forma absurda e alegórica, se confundiu uma estética da juventude com o crime. Isso talvez seja uma grande virada. A gente vai e volta. O funk não é a quinta maravilha, há monopólios ali. E não dá para comparar o funk com o samba. O funk tem uma agenda mais difícil de ser enfrentada. Por isso é o maior barato ver vocês organizando isso. Essa agenda que vocês estão montando, essa rede de atores, tem um efeito de demonstração e repercussão. A rede transborda as comunidades. Tem mais vitalidade, criação e inquietação transformadoras dentro dos espaços populares do que fora deles. A cidade formal está rateando. Não está dropando.
Ricardo Henriques, IPP

É evidente a migração da classe média das escolas públicas para as escolas particulares. A escola pública é ruim, desde a década de 80, é essa a mensagem que se veicula. Colocar a escola pública mais na agenda, não seria esse o caminho?

O desafio da escola pública é um problema que em alguma hora a gente vai ter de enfrentar. Qualquer coisa que se pense sem considerar a educação é inviável.
Ricardo Henriques, IPP

Para a polícia ficar ruim tem de melhorar Muito. Mas a sociedade também precisa melhorar. Perdemos a capacidade de dialogar, de conversar. A polícia não precisa ser vista de outra maneira?

O maior sintoma desse desafio que se tem pela frente é que o policial militar seja um funcionário que não tenha qualquer relação com qualquer outra agenda, que ele seja um servidor público, assim como a diretora da escola.
Ricardo Henriques, IPP

Na sua fala transparece que a população pobre não está preparada para aproveitar as ideias do setor empresarial. E percebe-se que as propostas foram feitas sem ouvir a comunidade. Como ensinar a humildade da escuta a quem está habituado a se considerar com a razão? A arrogância não será o primeiro sintoma a ser tratado – clinicamente, psicanaliticamente, por assim dizer?

O lance interessante é que esse é um processo de solução integrada. As empresas envolvidas discutem junto com o CEBDS tanto a solução como as ações. Nesse momento de construção, você já quebra certos padrões. É um modelo que tem que rodar muitas vezes e tem de avançar a partir daquele acordo coletivo que se espera.
Mariana Meirelles, CEBDS

O tráfico não entrou para substituir o estado, mas a sua saída alterou a configuração das favelas.  Como é o trabalho da UPP Social com a polícia pacificadora e o que vocês pensam da questão ambiental. Na favela, por exemplo, o gasto de água é muito grande. Não adianta falar se empreendedorismo e sustentabilidade se não se fala de educação ambiental. Vocês têm alguma ideia do que vai acontecer depois que esses projetos forem finalizados? O que querem depois que as empresas forem embora?

O que o tráfico produziu foram relações de subordinação, de controle e domínio. O fato de serem eficientes fazendo a festa, dando a cesta básica, é tão eficiente quanto a política clientelista que provê serviços. Não tem nada a ver com política pública que não nada a ver com governo ou com qualquer outra coisa.
Ricardo Henriques, IPP

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