Que escola é essa?

Vinte minutos, avisou o mediador Claudius Ceccon. Só vinte? Aristeo Leite Filho não esticou o tempo mas adiantou a fala para dar conta do queria dizer sobre sua área de atuação, a educação infantil, no Rio de Encontros sobre políticas públicas para a educação no Rio de Janeiro. Professor da PUC e da UERJ e diretor da escola Oga Mitá, Aristeo foi um dos primeiros homens a trabalhar em berçário.

O especialista em educação infantil Aristeo Leite Filho, no Rio de Encontros sobre educação. Foto: Ingrid Cristina Pereira/Observatório das Favelas

Para saber se a educação vai bem ou vai mal, na opinião de Aristeo, é preciso ir até o final do post. Mas, para começar a conversa, ele avisou que muita coisa mudou. A lei é uma delas.

“Poucas sociedades no mundo têm um estatuto como o ECA, que assegure de forma tão veemente os direitos e a proteção das crianças.”

Mas se política educasse, a situação seria outra, provocou Aristeo, que nem esperou que perguntassem sobre o que o município do Rio de Janeiro precisa para transformar a educação.

“Meu viés é a pedagogia do maior educador, Paulo Freire. A primeira pedagogia que se precisa para pensar na cidade do Rio de Janeiro, é a pedagogia do oprimido. Depois, a pedagogia da autonomia. Em seguida, a da liberdade e, por fim, a pedagogia da esperança.”

Trocando em miúdos? “A relação adulto-criança é uma relação de opressão. E a cidade não é uma cidade para criança, ou seja, não se faz a cidade pensando nas crianças, muito embora hoje se discuta a relação das crianças com o consumo”, explicou.

É preciso, portanto, pensar nas relações adulto-criança e cidade-criança, defendeu ele, que lembrou dois momentos como emblemáticos das mudanças no modo de se tratar – e reconhecer – a criança: o ano de 1979, declarado pela Unesco como o Ano Internacional da Criança, e a Declaração Universal dos Direitos das Criança, em 1989.

“O que se começou, do final do século XX para cá, foi a aceitar a ideia de que criança é gente. Mas a educação infantil tem sido, historicamente, um desastre. A creche, por exemplo, tem sido pensada para resolver um problema que não é dela.”

O que está acontecendo no Brasil e na cidade do Rio de Janeiro, segundo Aristeo, é que se está cuidando do cérebro das crianças, em vez de se pensar a cidade considerando a multiplicidade de pessoas, de faixas etárias e culturas.

Nos anos 70, nos estágios em escolas públicas, Aristeo viu a ênfase dada ao fracasso em vez do sucesso escolar. “A correlação entre pobreza e fracasso escolar é alta. Mas pais alfabetizados não significa que os filhos serão bons na escola. Isso não é matemática. Faltam variáveis da vida, da sociedade. Educar crianças pequeas não é ensinar habilidades. Eu diria que é melhor ler para as crianças e deixá-las brincarem.”

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Uma resposta em “Que escola é essa?

  1. Aristeo você é sensacional!!! Adoro o seu jeito de pensar a Educação Infantil. Fui sua aluna na Universidade Estacio de Sá e sua fã adoro você.
    Abraços Fabiana

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