O debate bombou (parte 2):

Confira trechos das falas de Luis Henrique Nascimento, Julia Michels e Jean Jacques Fontaine, Parceiros do RJTV, Milton Quintino e Don:

Luis Henrique Nascimento, coordenador da Escola Popular de Comunicação Crítica do Observatório de Favelas: “Hoje temos turma de 50 alunos, mas vai ter 150 em breve. Nosso sonho é que os participantes possam viver de comunicação. Tem muita gente que já criou rádio comunitária ou jornal, mas teve que começar a trabalhar em outra coisa e largou. Um dos focos é trabalhar sustentabilidade para que essas iniciativas não desapareçam. E focar na qualidade profissional desses alunos. Por que não podemos publicar anúncio do comércio local? A escola trabalha com módulos sobre teoria da comunicação, comunicação integrada, (rádio, web etc.), comunicação visual… Se ficarmos falando só entre a gente não geramos mudança. Foco é falar com milhares de pessoas. Por isso, na próxima turma vai nascer uma agência de publicidade, com objetivo de desnaturalizar o discurso que existe sobre favela.

Julia Michels (Rio Real Blog) e Jean Jacques Fontaine (Vision Brésil): Dois estrangeiros (Julia é americana, Jean Jacques é suíço), ambos residentes no Brasil e com experiência em comunicação. Julia vive no país há 30 anos e se dedica ao blog em que dá sua visão das questões cariocas em posts em português e inglês. “Temos muitos leitores fora. O maior desafio é ser levada a sério no Brasil, queria muito que os cariocas me lessem também”, disse ela, aproveitando para divulgar uma área do blog para convidados. Jean Jacques é jornalista de rádio e televisão e foi correspondente na América Latina, até decidir se mudar definitivamente para o Brasil. Além do blog, escrito em francês há três anos, ele coordena o Projeto Jequitibá, que oferece formação básica em jornalismo de rádio comunitária no Brasil todo, em parceria com a Unesco e com financiamento de instituições suíças. “Na perspectiva dos jogos olímpicos a gente se pergunta se seria possível montar, com recursos do Comitê Olímpico, ou da Unesco, um projeto de apoio de melhoramento técnico das rádios comunitárias”, sonha ele.

Parceiros do RJTV: Gisela, Lana e Thiago, do RJTV. Gisela: “O jornal está cada vez mais próximo da comunidade. Abrimos inscrições para oito regiões do Rio de Janeiro, houve prova escrita, dinâmica, escolhemos 16 pessoas, tinha que ter ao menos ensino médio. São moradores preocupados com suas comunidades. Aprendemos muito com essa etapa de seleção. Demos equipamentos para eles, eles se revezam na função de repórter e câmera, tiveram curso com um monte de gente. Uma vez por semana a gente se encontra e  conversa”. Alana: “Somos contratados com carteira assinada. Sou do Complexo do Alemão, não quero sair de lá. Foi brilhante ideia para colocar o morador pra falar”. Tiago: “Também sou do Complexo do Alemão. É um canal para ligar os jornais comunitários à grande impresa, mas os dois lados têm que estar abertos. Denunciamos o atraso no pagamento do aluguel social para 300 famílias e conseguimos reverter a situação”.

Milton Quintino, do site Correspondentes da Paz: “A ideia era criar uma rede social que desse voz ao jovem na questão da criação da UPP. Reparamos que já havia muitos cursos de formação para esse público, então investimos no entendimento conjunto do valor do espaço das redes sociais para politização. Discutimos muito com eles: o que é relevante mostrar?”

Don (blogueiro e fotógrafo da Cidade de Deus): “Fui aluno de formação de correspondentes Viva Favela. Me identifiquei com fotografia, comecei a produzir conteúdo da Cidade de Deus para o site e para meu blog. Circular com câmera numa comunidade não é fácil, tem assédio de polícia, de traficante que não quer que algumas coisas sejam mostradas. É difícil ser remunerado, produzo conteúdo de graça para o Viva Favela, faço por amor. Recentemente o Toni Barros, também fotógrafo, teve câmera quebrada por agente de polícia militar. A sensação é que estamos em território de guerra, não senti diferença nenhuma com UPP. Para jornalismo comunitário até piorou, porque a polícia fica enchendo o saco. Na época do tráfico só a gente tinha mais liberdade.”

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