O debate bombou (parte 1)

Confira uma seleção dos melhores momentos das falas de Fiell, Maria do Socorro, Dudu de Morro Agudo, Marina do NPC e Eliane Silva, da Redes da Maré:

Fiell, da Rádio Comunitária do Morro Santa Marta: “Comunicação é um poder, como o legislativo e o judiciário. Ela informa ou desinforma. Nossa rádio surgiu para dar atenção para as informações daquele lugar. O desafio é formar essa rádio com todos os empecilhos da lei, como não poder vender propaganda. Ela sobrevive na solidariedade, todos os trabalhadores são voluntários. Quando abriu foi uma revolução, as pessoas podiam participar. Mas em 3 de maio de 2011, Dia da Liberdade de Imprensa, chegou lá a Anatel, com Polícia Federal, e fechou tudo. A rádio não tem nada a ver com a UPP, pelo contrário. Sem a rádio a população perde muito. No próximo mês voltamos ao ar, na 103,3 FM e na internet – mas internet quase ninguém ouve ainda.

Maria do Socorro, do Portal da CDD: “Sou moradora da Cidade de Deus há 30 anos. O portal é experiência que vem de um jovem, que chegou na comunidade para fazer uma pesquisa sobre as instituições da Cidade de Deus e descobriu que todas desejavam ter um site. Aí ele estimulou a discussão sobre um site coletivo, em 2008. Conseguimos construir o portal comunitário, onde cada instituição tem seu espaço, sua senha de acesso. Começamos a construir memória da comunidade a partir do portal. Tem também o espaço do “Fala comunidade”, pras pessoas se expressarem. O site está ficando mais popular na comunidade, semana passada tivemos mil acessos. Pena que a internet digital da Cidade de Deus não funciona até hoje”. [Risos na plateia: William da Rocinha comenta que lá também não; Fiell diz o mesmo do Santa Marta].

Dudu de Morro Agudo, do Portal Enraizados: “O portal foi criado inicialmente para botar em contato as pessoas de hip hop do Brasil inteiro. Começou em 1999, mesmo com a internet não tão difundida. Em 2006 o portal tinha 600 mil acessos por mês. Pouco tempo depois esse número caiu, porque as pessoas começaram a ter seus próprios blogs. Hoje o site é uma revista, com gente que escreve do Brasil todo. Tem também o site institucional. A partir de 2005 começamos a viajar e conhecer políticas públicas, então começamos a ver nosso bairro de jeito diferente. O padrão dos jovens era admirar bandido, começamos a mostrar outras coisas, e trazer pessoas de fora da comunidade com histórias motivadoras. Temos rádio web. Temos também TV no Youtube e jornal [Te cuida Globo, berrou alguém na plateia]. E mantemos um espaço alugado de 400 metros quadrados com biblioteca, estúdio e telecentro. Nosso grupo é bom, mas tem pouca gente qualificada. Então voltamos todos a ser estudantes. Hoje temos um dos nossos como Parceiro do RJ, tem um pessoal no Futura e também no jornal O Dia.”

Marina, do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC). “Curso de comunicação comunitária que está na ativa desde 2005. É ministrado no Sindicato dos Engenheiros, na Cinelândia. A primeira turma tinha só gente que já fazia comunicação comunitária. Aos poucos fomos abrindo mais e recebendo gente de várias favelas, de movimentos sociais. Teve até um engenheiro que fez o curso e hoje participa do Boletim do MST. Principal desafio é como tornar a comunicação algo que faz parte da vida da pessoa. Quem financia é a Fundação Rosa Luxemburgo, agora temos 50 pessoas por turma e fila de espera. Todos os professores são voluntários. Estamos na sétima edição do curso. É aos sábados, de 15 em 15 dias, por quatro meses. Tem aula de História do Brasil, de redação, de internet. O Fiell diz que gosta de ser repetente desse curso.” [Fiell pediu a palavra de novo e falou: “Este curso foi minha janela para conhecer a luta dos trabalhadores do Brasil. Lá aprendi a diagramar, fazer pauta, não é tão difícil quanto falam por aí…”]

Eliana Souza, da Redes da Maré. “O jornal Maré de Notícias surgiu do desejo de um projeto estruturante para conjunto de favelas da Maré. Pensamos hoje que o papel que podemos desempenhar para contribuir para melhorar a qualidade de vida. Jornal nasce da ideia de ser veículo de comunicação social. Reunimos gente também de fora da maré para colaborar. Fizemos pesquisa para saber como os moradores se sentiriam representados, inclusive o nome do jornal foi votação. Tentamos passar mensagem reflexiva sobre problemas do bairro, e tentar propor soluções para o bairro e para a cidade. Para isso estamos sempre nos reunindo com associações de moradores para pensar o nosso papel e qualificar pessoas que possam ser parceiras do jornal. Ele tem 35 mil exemplares entregues de porta em porta, é mensal, tem 1 ano e 7 meses.”

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