Os desafios do Rio de Janeiro

Os três iniciadores do debate focaram nos problemas fluminenses (Foto: Kita Pedroza)

Se risco é rotina, como disse Paulo Gusmão, a dengue é um bom exemplo a ser citado. “Aqui no Rio o que se observa é mais o aumento das temperaturas mínimas do que das máximas. Costumava-se se preocupar com a dengue só durante o verão. Agora não, a tendência é piorar e se estender para o ano inteiro”, lembrou Besserman.

Dengue está relacionada com o problema central da cidade: as chuvas. Para resolver a questão da população em situação vulnerável, seria necessário dar alguns passos. “No momento atual, temos que produzir conhecimento. Depois, pensar custos e benefícios. Depois, é o momento da tomada de decisão. Em alguns lugares será necessário tirar a população. Em outros, tirar o risco”.

Isso tudo depende da ação dos governantes, que costumam ter relação complicada com a questão do meio ambiente. “Eles já lidam com escassez de recursos, e dizem que ele tem que gastar dinheiro com algo que vai ser problema num futuro próximo. Felizmente o prefeito atual é sensível ao tema, botou a prefeitura para trabalhar nisso, porque as grandes obras que estão sendo feitas não podem desconsiderar os riscos”, disse Besserman, dando um exemplo: “Se o saneamento da Zona Oeste for feito sem se levar em conta o nível do mar, vamos estar jogando dinheiro fora.”

Plateia atenta na Casa do Saber (Foto: Kita Pedroza)

Sergio Abranches foi mais fundo na problematização das políticas da cidade. Para ele, o projeto para o Rio é baseado em indústrias mortas, como o petróleo e o aço. “Deveríamos estar pensando em neurociência, biocombustível, nanotecnologia. Estamos caminhando rapidamente para o pós-guerra e achando sensacional. Estamos discutindo flexibilzação da redução da cobertura verde, enquanto o resto do mundo está discutindo o contrário”.

Os três especialistas não foram unânimes em relação à instalação de siderúrgicas em áreas novas. Besserman sugeriu que isso fosse feito com a condição de contrapartidas, como a manutenção dos manguezais da região. Gusmão alertou para o risco de se transformar o país em “uma grande fazenda, uma grande usina”. E Abranches foi enfático: “Sou radicalmente contra fazer mais uma siderúrgica. Pega uma área, ocupa com indústria velha, que não tem mais lugar no século XXI. Com isso, vão desviar para lá escassos recursos dos nossos impostos e não vão investir em políticas públicas”. 

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