Uma metodologia para bagunçar vícios

Faustini e mediadores da agência (Foto: Clayton Leite)

Com uma linguagem informal e pessoal, bem de acordo com o espírito do Rio de Encontros, Faustini explicou suas motivações para construir o projeto Agência Redes para a Juventude, que tem patrocínio da Petrobras. “Devíamos pensar imediatamente em novas lideranças na cidade. Estava cansado da minha cara, da do Junior Perim, da do Celso Athayde, a gente estava aparecendo demais. Isso tinha a ver com o fato de os projetos existentes tratarem os jovens como objetos dos programas, formar para o mercado de trabalho… Ou então era induzido a falar de si em clima de superação, melodramático. Era quase jesuítico!”

Além de “rede”, outra palavra passou a ocupar a cabeça de Faustini: metodologia. Era preciso criar uma nova metodologia para trabalhar com os jovens das UPPs, desde os que já participaram de outros projetos sociais até os egressos do tráfico. Os objetivos seriam: fazer o jovem pensar no seu território e se tornar uma liderança por meio de uma estratégia focada em educação e cultura. Assim, desenhou-se a proposta: selecionaram 300 jovens, 50 de cada comunidade (Chapéu Mangueira/Babilônia, Batan, Cantagalo, Cidade de Deus, Borel e Providência) para participar do processo. Cada um recebe bolsa de R$ 100 para participar dos “estúdios”, conjunto de atividades que vão ocupar os sábados do primeiro semestre.

Os encontros semanais focam em três pontos: o projeto de vida (pois aqueles jovens teriam dificuldade de transformar seus sonhos em projetos pragmáticos), a promoção de redes (segundo Faustini, em muitos casos garotos recém-formados não conseguiam entrar no mercado de trabalho por não participarem das redes necessárias), e a ação no território (para reduzir o que ele chama de “estigma do pagodeiro”: o cara que diz que a comunidade não tem nada, ganha dinheiro e sai para comprar uma Ferrari). A cada sábado, os participantes vão participando de um programa de pontos, tal como um game, a partir das atividades de cultura e educação propostas.

As atividades começaram há duas semanas, com um grande encontro dos 300 selecionados no Teatro João Caetano, com participação dos rappers da Rede Enraizados, de Nova Iguaçu, do pesquisador Jailson de Souza e do diretor do IPP Ricardo Henriques. No começo de junho, os jovens vão participar do evento “30 para 300” (uma brincadeira com o programa 1 contra 100, de Roberto Justus), conversando sobre seus projetos com 30 doutores ligados à universidade.

Em seguida, terão um intensivo de cultura digital no Pontão de Cultura da Escola de Comunicação da UFRJ. Em julho, terão o apoio de “padrinhos mágicos” para finalizar seus projetos. Aí, serão submetidos a uma banca, em que 30 serão selecionados para serem viabilizados nas comunidades dos proponentes, com uma verba de R$ 10 mil cada. A idéia é que todos, vencedores e “perdedores”, se engajem nos projetos contemplados. Ao fim do processo, todos os participantes serão agraciados com um certificado da UFRJ.

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