Fé e maniqueísmo: combinação explosiva

“Se existe oportunismo, existe também transformação”. A frase de Regina Novaes resume a complexidade que deve ser levada em conta na análise da atuação social das religiões evangélicas. Por muito tempo o vínculo com essas igrejas ajudava as pessoas no ir e vir das favelas. Até mesmo o polêmico dízimo tem sua função, na visão da pesquisadora. “Ele tem seu papel. Quem critica tem que entender que as pessoas negociam, não é um bando de idiotas, muitas vezes há uma estratégia de inserção social. Claro que há problemas, mas temos que escutar as pessoas antes de questionar sua fé”.

Outro exemplo significativo dado por Regina para bagunçar convicções vem da Igreja Universal do Reino de Deus. “Nessa sociedade machista em que vivemos, a IURD indica a vasectomia. Trata dessa questão seríssima da natalidade. Essa discussão sobre progressista e conservador é bem mais complicada do que parece”. A mesma igreja, ao demonstrar intolerância com as religiões afro, acaba aumentando a visibilidade destas últimas.

Apesar de tantos problemas inegáveis, como a intolerância nas escolas, Regina é otimista. Acha que os tempos de hoje se afastam cada vez mais da padronização. “Existe hip hop gospel, funk católico. É apropriação capitalista? É. Mas são personagens fortes. Não dá para ter medo de pausterização: quando você vê uma homogeneização, começa algo novo que bagunça tudo”.

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