Desafios impressos, desafios televisivos

Fernando Molica: segurança é assunto obrigatório (Foto: Alex Forman)

Os dois representantes da grande imprensa presentes no debate já trabalharam tanto em jornais quanto na televisão. Hoje Fernando Molica se dedica às linhas impressas na coluna Informe do Dia (depois de passar pela Rede Globo e vários outros veículos) e Marcelo Moreira é editor do RJTV 2ª edição, da Globo (depois de trabalhar no JB, A Notícia, entre outros). Ambos também têm ligação com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Moreira é vice-presidente, Molica já foi diretor) e preocupação com a segurança dos jornalistas, sobretudo depois da morte de Tim Lopes.

O assassinato do jornalista durante uma apuração no Complexo do Alemão, em 2002, foi um divisor de águas porque levantou a questão do risco. “Virei militante da segurança dos jornalistas”, contou Marcelo Moreira. “Hoje organizamos treinamentos. É difícil explicar para o repórter que aquela foto que quer tirar pode custar sua vida”. Molica explicou que a fatalidade rompeu com um tipo de cobertura que se fazia em favelas. “Era um processo muito acrítico. Pedíamos autorização para entrar e com isso estávamos legitimando o tráfico. Depois da morte dele tinha repórter que ouvia a ameaça ‘você vai ser o próximo Tim Lopes’. O ônus de não ir é deixar a população sem a cobertura sobre essas áreas”.

Marcelo Moreira: preocupação com segurança dos repórteres (Foto: Alex Forman)

Molica ainda chamou atenção para um fato curioso. O encontro era sobre mídia, e o assunto que surgiu naturalmente foi a questão da segurança. “É como se fosse um tema obrigatório do Rio de Janeiro.” Provocado pela mediadora Anabela Paiva sobre um possível exagero no apoio às UPPs, ele explicou: “O Rio de Janeiro está esquisito, a maior parte das matérias hoje elogia a PM. É que deu um respiro, antes a sensação era de que não tinha saída. Na ditadura nenhum grupo guerrilheiro conseguiu tomar um território, e hoje isso acontece no Rio. A UPP é uma alternativa, mesmo com problemas. Pouco antes dela, a palavra remoção, que estava morta há um tempo, tinha sido ressuscitada, sobretudo pelo Globo”.

A televisão também estaria passando por uma mudança de postura, segundo Silvia Ramos, da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio. “O tempo do Aqui e Agora passou. Os telejornais locais se impuseram como um modelo de jornalismo, uma opção àquela estrutura apelativa de programa”, atestou. Marcelo Moreira explicou que a TV Globo procura dividir seu noticiário local entre informações do dia-a-dia (trânsito, previsão do tempo), denúncias dos cidadãos (buracos nas ruas, filas nos hospitais) e o hard news, em que a segurança ainda é um dos principais assuntos.

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