Cultura, a arte do encontro

Marcus Faustini, secretário de Cultura de Nova Iguaçu, deu a deixa para que o debate se voltasse para a arte e seu lugar numa metrópole desigual como Rio de Janeiro.

–  Nas discussões sobre os direitos da cidade, a Cultura não é convocada para discutir. Não é chamada para opinar sobre os investimentos. A cultura é sempre convocada como um instrumento que pode contribuir para a atuação do governo nos espaços populares: trabalhando com jovens, ampliando relações – criticou, insatisfeito.

Eliana concordou e citou a necessidade de incluir a Cultura entre os direitos fundamentais do cidadão. Como evoluir além do discurso utilitário em que dança, teatro, música são apresentados apenas como  um fator de atração para que os jovens sejam “salvos” dos “perigos” que os cercam?

– Na classe média a criança vai fazer balé para estudar teatro, para se desenvolver. Na favela, é para ter oportunidade de vida.

Eliana ressaltou a necessidade de mudar os parâmetros do trabalho cultural em favelas, tornando-o mais livre e inclusivo.

Regina Casé, que ouvia na platéia, pediu o microfone para fazer um entusiasmado comentário.

– Eu concordo tão veementemente! – começou a atriz.  Regina  contou que há alguns anos trabalha, junto com Hermano Vianna e Gringo Cardia, para concretizar uma iniciativa renovadora: o Museu-Escola do Encontro.

Se o trio conseguir colocar os seus sonhos em prática, vai ser um grande espaço de aprendizado e convivência na área portuária, onde jovens da periferia e de favelas e jovens das áreas mais ricas da cidade poderão aprender e se divertir juntos.

– Um lugar onde o playboy do Leblon pudesse descobrir que tem interesses em comum com o cara da favela – resumiu Regina.

Nada, ressalta, contra os projetos realizados em favelas por tantas ONGs, Oscips, associações. Nem contra museus sofisticados.  Iniciativas maravilhosas, concluiu Regina, mas que pouco contribuem  para colar a tal cidade partida.

Ao fim da intervenção Regina sugeriu que o trio de idealizadores apresentasse o projeto em um novo Rio de Encontros. A idéia foi aceita entusiasticamente por todos os presentes.  A proposta casava direitinho com o tema do debate que planejávamos fazer sobre as fronteiras simbólicas que dividem os jovens da cidade. A apresentação sobre o Museu-Escola do Encontro – nome bonito, sô – vai acontecer no dia 20 de junho, quando o tema é “Juventude, lazer e violência: a circulação entre territórios”.

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