– Quando o prefeito fez o decreto do uso da força, dei uma entrevista em que falei que ele estava fazendo o decreto tarde. Nós já estávamos usando a força para retirar pessoas de áreas de risco – lembrou William Oliveira, referindo-se à decisão de Eduardo Paes, anunciada após as chuvas de abril, que mataram mais de 200 pessoas no Estado do Rio.
William contou que já retirou à força algumas pessoas, que teimavam em ficar em áreas de risco.
– Ficaram com o maior bico. Agora, que estão com suas casas, quando me vêem na rua, agradecem.
Em 2009, William estava entre outros líderes comunitários e representantes do governo estadual na reunião que apresentou à imprensa o projeto do Parque Ecológico da Rocinha, uma área de lazer que pretendia conter o crescimento da Rocinha em direção à mata. O projeto incluía um polêmico muro, que estabeleceria um limite físico para a comunidade.
– Fui muito crucificado por dizer que era favorável – lembrou William.
O projeto previa a relocação de 80 famílias, entre elas as do Cobras e Lagartos. William apoiou o deslocamento:
– Lá só tinha barraco de madeira, nao tinha casa de alvenaria. O barraco mais caro valia uns R$ 4 mil. Eles iam ganhar uma casa de uns 10 mil reais dentro da Rocinha. Então eu fui favorável.
Também houve resistência de alguns moradores na mudança. William insistiu e hoje comemora. Boa parte das construções do Parque Ecológico foi destruída pelas chuvas de abril.
– Imaginem se ainda estivessem lá aqueles barracos sem condição nenhuma. Teríamos outro Morro do Pumba.





