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Pergunta em busca de resposta

De Pedro Strozenberg, secretário executivo do Iser:

– Fico feliz de estar em um lugar em que a gente não está organizando uma campanha, promovendo uma atividade. É muito positivo abrir um espaço pra pensar sem o compromisso de agir. A gente tem agido muito e pensado pouco. Espaços de reflexão são fundamentais para darmos um salto de qualidade nas ações que temos feito no Rio de Janeiro.

Para chegar a este novo patamar, é preciso responder à pergunta que Pedro deixou no ar:

– Como é que a gente cria espaços para compartilhar decisões entre poder público e moradores, tanto na favela como no asfalto? Um lugar em que os moradores sejam consultados, por exemplo, quando se decidir mudar o trânsito de uma rua.

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Em defesa do pragmatismo

A visão de Aspásia sobre o futuro carioca deixou muita gente angustiada. Flávia Oliveira, colunista de O Globo, expressou o sentimento de parte da platéia:

– Eu me recuso a acreditar que daqui a 20 anos vais estar pior. Estamos melhorando.

A titular do Informe Econômico fez uma defesa do que chamou de “pragmatismo” nas políticas públicas. Ou seja: oferecer alternativas aos cidadãos que permitam que eles façam as escolhas mais convenientes para a sua vida. Programas urbanísticos, educacionais e de saúde flexíveis, que ofereçam autonomia aos usuários.

Se ganharem essa complexidade, as políticas públicas podem ser mais bem sucedidas, acredita Flavia.

Plano diretor

Como gostaríamos que o Rio fosse em 20 anos? A pergunta-chave do Rio de Encontros, projetada na parede da Casa do Saber, gerou uma previsão pessimista da vereadora Aspásia Camargo (PV).

– Daqui a 20 anos o Rio vai estar pior. Com toda a boa vontade que temos para unir a cidade,  é impossível se não tivermos o planejamento estratégico que todas as cidades tem.

Aspásia lembrou que há oito anos adia-se a votação do Plano Diretor do Rio de Janeiro – o que, finalmente, está prestes a acontecer.

Está na hora da gente conhecer o projeto e discuti-lo. Ou depois teremos de engolir o que for aprovado. Acompanhe tudo pelo site:  http://spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/indexplano.php

Cultura, a arte do encontro

Marcus Faustini, secretário de Cultura de Nova Iguaçu, deu a deixa para que o debate se voltasse para a arte e seu lugar numa metrópole desigual como Rio de Janeiro.

–  Nas discussões sobre os direitos da cidade, a Cultura não é convocada para discutir. Não é chamada para opinar sobre os investimentos. A cultura é sempre convocada como um instrumento que pode contribuir para a atuação do governo nos espaços populares: trabalhando com jovens, ampliando relações – criticou, insatisfeito.

Eliana concordou e citou a necessidade de incluir a Cultura entre os direitos fundamentais do cidadão. Como evoluir além do discurso utilitário em que dança, teatro, música são apresentados apenas como  um fator de atração para que os jovens sejam “salvos” dos “perigos” que os cercam?

– Na classe média a criança vai fazer balé para estudar teatro, para se desenvolver. Na favela, é para ter oportunidade de vida. Continue lendo

Uso da força

– Quando o prefeito fez o decreto do uso da força, dei uma entrevista em que falei que ele estava fazendo o decreto tarde.  Nós já estávamos usando a força para retirar pessoas de áreas de risco – lembrou William Oliveira, referindo-se à decisão de Eduardo Paes, anunciada após as chuvas de abril, que mataram mais de 200 pessoas no Estado do Rio.

William contou que já retirou à força algumas pessoas, que teimavam em ficar em áreas de risco.

– Ficaram com o maior bico. Agora, que estão com suas casas, quando me vêem na rua, agradecem.

Em 2009, William estava entre outros líderes comunitários e representantes do governo estadual na reunião que apresentou à imprensa o projeto do Parque Ecológico da Rocinha, uma área de lazer que pretendia conter o crescimento da Rocinha em direção à mata. O projeto incluía um polêmico muro, que estabeleceria um limite físico para a comunidade.

– Fui muito crucificado por dizer que era favorável – lembrou William.

O projeto previa a relocação de 80 famílias, entre elas as do Cobras e Lagartos. William apoiou o deslocamento:

– Lá só tinha barraco de madeira, nao tinha casa de alvenaria. O barraco mais caro valia uns R$ 4 mil. Eles iam ganhar uma casa de uns 10 mil reais dentro da Rocinha. Então eu fui favorável.

Também houve resistência de alguns moradores na mudança. William insistiu e hoje comemora. Boa parte das construções do Parque Ecológico foi destruída pelas chuvas de abril.

– Imaginem se ainda estivessem lá aqueles barracos sem condição nenhuma. Teríamos outro Morro do Pumba.