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A paixão e a dúvida: cultura sem cartas marcadas

Os iniciadores do Rio de Encontros sobre cultura (Foto: Alex Forman)

O tema da quarta edição do Rio de Encontros era “Para além da cultura do medo: diversidade e circulação entre os territórios da cidade”. A ideia era debater como iniciativas culturais poderiam ajudar a reverter a sensação de medo em uma cidade como o Rio de Janeiro. O resultado da conversa poderia ter sido simples. Afinal, não faltam exemplos de experiências culturais bem sucedidas na missão de aproximar centro e periferia. Os próprios partipantes convidados para iniciar o debate são líderes de algumas delas, e poderiam ter resumido suas falas a uma enumeração de seus feitos. Mas nada é simples. E assim, no encontro em que o tema parecia mais propício a render conclusões entusiasmadas, a tônica foi de perguntas complexas e sem respostas fáceis.

Foi, então, um encontro desanimado? Longe disso. Um debate com participação de Claudius Ceccon, fundador do Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip), Marcus Vinicius Faustini (ator, produtor cultural, ex-secretário de cultura de Nova Iguaçu) e Rafael Dragaud (roteirista e diretor de TV) só poderia ser animado e apaixonado. Mas paixão tem um percentual grande de dúvida – e assumir a existência dela é a melhor maneira de superá-la.

Como é de praxe, o encontro virou uma grande conversa entre plateia e iniciadores. Confira nos próximos posts alguns dos melhores momentos.

O que vem por aí…

Os próximos encontros já estão sendo articulados:

* Acabamos de fechar o quarto, que será realizado no dia 25 de agosto. Com o nome “Pra além da cultura do medo: diversidade e circulação entre os territórios da cidade”, ele terá iniciadores que estão sempre atentos ao desafio de usar a cultura para diminuir a desigualdade no Rio de Janeiro: o diretor e roteirista Rafael Dragaud, o diretor teatral e produtor cultural Marcus Vinicius Faustini, o ator e professor do grupo Nós do Morro Luciano Vidigal e o arquiteto Claudius Ceccon, um dos fundadores do Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP). Para ver mais detalhes do currículo dos participantes, veja a página de programação.

* No dia 15 de setembro, uma edição especial do evento será realizada. O grupo de agitadores culturais que está tramando o Museu do Encontro, capitaneado por Regina Casé, vai explicar como o espaço pretende unir a periferia e a cidade economicamente viável.

* Os dois últimos encontros do ano têm uma característica especial. Seus temas foram escolhidos por enquete pela plateia do evento sobre informalidade, realizado em julho. Em outubro, a ideia é falar sobre mídia, sua atuação e seu impacto nas notícias sobre a cidade. Em novembro, a religiosidade e sua ligação com cidadania e política serão o tema do debate. Ainda estamos fechando as datas e o local, por isso, fiquem de olho no blog!

Cultura, a arte do encontro

Marcus Faustini, secretário de Cultura de Nova Iguaçu, deu a deixa para que o debate se voltasse para a arte e seu lugar numa metrópole desigual como Rio de Janeiro.

–  Nas discussões sobre os direitos da cidade, a Cultura não é convocada para discutir. Não é chamada para opinar sobre os investimentos. A cultura é sempre convocada como um instrumento que pode contribuir para a atuação do governo nos espaços populares: trabalhando com jovens, ampliando relações – criticou, insatisfeito.

Eliana concordou e citou a necessidade de incluir a Cultura entre os direitos fundamentais do cidadão. Como evoluir além do discurso utilitário em que dança, teatro, música são apresentados apenas como  um fator de atração para que os jovens sejam “salvos” dos “perigos” que os cercam?

– Na classe média a criança vai fazer balé para estudar teatro, para se desenvolver. Na favela, é para ter oportunidade de vida. Continue lendo