Os quatro mediadores do projeto que subiram ao pequeno palco com Faustini também falaram bastante de suas expectativas. Todos eles têm função-chave para que a agência funcione em suas comunidades e foram contratados com carteira assinada (“senão a mãe ainda diz para ele ir procurar um emprego de verdade, alimenta o estigma da cultura”, explicou Faustini). Na plateia, muitos outros participantes (alguns deles egressos da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu) interagiram na conversa.
Artur, do Babilônia/Chapéu Mangueira, é coordenador de audiovisual do ponto de cultura Ary Barroso, onde funciona um cineclube. Marcio, da Cidade de Deus, trabalha com crianças e adolescentes numa ONG. Diego, do Borel, é jornalista e trabalha no projeto Correspondentes da Paz, do Iser. E Joabe, do Batan, trabalha no Transfusão Noise Records, que grava bandas da Baixada. O seu depoimento foi o mais incisivo, apontando os desafios que aquela comunidade enfrenta. “Lá não tem cineclube ou exposições, não há acesso direto à arte”, resumiu.
Foi a deixa para a cientista social Silvia Ramos pedir a palavra, lembrando que uma pesquisa etnográfica feita no Batan mostrou que não existiam praticamente projetos sociais por lá. Distante da área central da cidade e sacrificada pela ação da milícia, a comunidade vê com esperança a chegada da UPP, que começa, lentamente, a mudar o cenário local, como contou Joabe: “Lá tem muita gente desmotivada. Mas já tem gente que me para na rua para saber o que vai acontecer no próximo sábado”.
Faustini comentou ainda que houve um incidente no estúdio da Cidade de Deus no último sábado. Um policial interrompeu uma dinâmica para abordar um rapaz que seria egresso do tráfico, mas não estava em medida sócio-educativa e, portanto, não devia nada ao Estado. Os policiais presentes logo afirmaram que o colega não agiu corretamente. “Isso não deveria acontecer, vamos chamar atenção para haver mais cuidado”, garantiu o capitão Nogueira.









