Primeiro, um projeto integrado de intervenção para melhorar a qualidade do ensino oferecido às crianças. Em seguida, criar formas de reduzir as desigualdades no desempenho entre escolas de áreas mais desenvolvidas e outras de escolas conflagradas ou vulneráveis. Estas foram as primeiras estratégias traçadas para a educação no município do Rio de Janeiro, na gestão de Cláudia Costin.

- Rio de Encontros sobre políticas públicas para a educação no município do Rio de Janeiro. Foto: Ingrid Cristina Pereira
Se a criança não aprende ou não aprende o quanto deveria, o histórico familiar pode ter lá sua importância no diagnóstico. Segundo Costin, 68% do sucesso escolar de uma criança depende do nível de escolaridade dos seus pais. Fato constatado, foi criado o programa Parceiros da Educação Carioca. “Para que se cobrasse o que os pais não estavam preparados para cobrar”, esclareceu a secretária.
Se dentro de casa as coisas podem ir melhor, na escola o trabalho é longo. A estratégia para o ensino fundamental inclui o currículo municipal único, organizado por bimestres. O sistema foi testado por um ano e tem revisão prevista a cada três anos.
A progressão continuada acabou e criança que repete precisa de reforço escolar. “O segredo da Finlândia é o reforço escolar. Como fazer com a criança que está defasada?”, questionou a própria secretária, que ressaltou a ênfase dada à realfabetização dos analfabetos funcionais.
Foram realfabetizados 21 mil dos 28 mil detectados em 2009. Como? Com um recado direto aos professores: a rede tem de alfabetizar no primeiro ano. “Os próprios professores foram capacitados para assumir a realfabetização. Se é desafiador alfabetizar no primeiro ano, vai se tornando tarefa muito mais árdua, depois. Temos uma avaliação a cada fim de primeiro ano para saber se a criança está saindo alfabetizada. O índice hoje é de 80%. Não é realização, é investimeto em capacitação”, pontuou.
Costin definiu ainda, entre as estratégias, o foco em aprendizagem para ajudar os alunos a desenvolver competências como leitura e interpretação de textos,
raciocínio matemático e mente investigativa. Numa atuação direta com as comunidades, e considerando as particularidades de cada escola, foi criado o projeto Crianças do Amanhã. E para o segundo segmento do ensino fundamental, uma revisita ao antigo ginásio. Menos por nostalgia e mais por necessidade.
“Esse é um gargalo em todo o Brasil. Avançamos do primeiro ao quinto aúncio. Por que está ruim a educação no ensino médio? O desastre começa no sexto ano. Em todas as redes, o desempenho do quinto para o sexto ano sofre uma queda brutal. O menino de sexto ano tem defasagem de série. Boa parte dos problemas de disciplina e violência nas escolas decorre dessa diferença.”
Próximo passos
Persistência e estratégia, estratégia e persistência. A ênfase no reforço escolar permanece e a educação infantil está sendo tratada como fase decisiva na educação. Para ajudar no processo e envolver mais gente, será criada a Cartilha dos pais, com um material para cada fase.
Os planos incluem ainda aulas de Inglês desde o primeiro ano e o Projeto de Vida, a partir do sexto ano. “ A ideia é formar jovens autônomos, capazes de se enxergar como senhores de suas vidas, solidários e competentes. Aumentar os anos de escolaridade, resgatar o valor da escola pública, envolver toda a sociedade na trasformação da educação. Só vamos vencer a guerra na educação quando cada um perceber que é preciso. Queremos crianças que possam construir o seu futuro.”





